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domingo, 7 de julho de 2013

Parabéns a você!

O pessoal do escritório da empresa onde eu trabalho tinha um costume, ao meu ver estranho,  em relação aos aniversários. A criatura que estava de aniversário é quem trazia o bolo e as guloseimas, depositava-os no balcão da cozinha, preparava seu café ou chá e seguia para a sua mesa para mais um dia de trabalho. Eventualmente, um de seus colegas iria até a cozinha preparar seu café ou chá e vendo o bolo e as guloseimas no balcão se daria conta de que alguém estava de aniversário. “Oba, doce!” Dependendo do seu humor, boa vontade e caráter, tal colega procederia com uma das ações a seguir:

1 – investigaria quem está de aniversário, parabenizaria o anivesariante e espalharia a notícia pelo escritório;

2-  espalharia pelo escritório a notícia de que tem aniversariante na área e de que os doces e bolo estão na cozinha, oba;

3- servir-se-ía de doces, bolo e café ou chá e voltaria para sua mesa contente que algum aniversariante trouxe doces.

Não me parecia muito certo isso. Então, depois de quase dois anos sendo traumatizada de aventuras no Alexmoon Café e de volta à minha querida empresa, aproveitei as mudanças ali ocorridas (enquanto estive fora, a empresa havia sido comprada por um grupo de investidores e várias reformas administrativas tem sido desenvolvidas) para implementar o ”programa do dia do aniversariante”.  

E como é esse programa?

Pois bem, o aniversariante continua trazendo os doces e guloseimas (mudanças muito radicais não pegam, tem que criar em cima do costume), mas agora, a criatura também recebe um cartão de aniversário assinado por todos no escritório além de ter pôsteres pendurados na cozinha e na entrada do escritório com o nome da criatura. Assim, não tem como não saber quem é o aniversariante do dia.

Muito melhor, não?

Já faz mais de um ano que o programa entrou em vigor e tem sido o maior sucesso. Somos mais de 15 pessoas no escritório, quase todo mês tem alguém de aniversário. Os aniversariantes esperam receber o cartão e ver seus nomes pelas paredes. Quem não gosta de carinho?

E na quinta-feira, dia 4 de julho, foi o MEU aniversário.


Fiz meu próprio bolo e brigadeiros.

Ganhei meu cartão assinado por todos.




Tinha poster pendurado também!



No final do dia, na saída do escritório, Kevin, um dos nossos operários, me chama para perto da sua van. Puxa um violão e canta Happy Birthday pra mim! Achei um amor, me emocionei. A bit creepy, nonetheless.



Minha irmã me deixou uma mensagem tão linda no Facebook! A Claudia é muito especial. A Claudinha é muito sincera, quase beirando à ingenuidade. Ela não tem agenda ou segundas intenções, ela fala as coisas como sente, como são. Ela não tem meio termo: ou gosta, ou não gosta. Eu amo muito a mimha irmã mas ela será assunto para outras postagens, he, he!




Em casa, recebi um telefonema do meu pai. Ele, a Helena, o Pedro e a Claudia estavam reunidos almoçando e brindaram pelo meu aniversário, rezaram uma Ave-Maria e me mandaram essa foto.




Falei com todos.  Me senti tão querida!

O meu jantar de aniversário é que foi tragicômico especial. Tudo o que eu desejava era um bolo de banana, mais nada. Mas o marido insistiu em preparar um jantar surpresa.

-Nunca fiz esse prato antes, mas encontrei essa receita maravilhosa, se der certo vai ser um manjar dos deuses.

 Lá vem bomba.

-Me dá uma dica, vai.

-Aposto que tu nunca ouviu falar desse prato, mas posso te assegurar que tu gostas de todos os ingredientes.

Com certeza, lá vem bomba.

Enquanto o marido preparava a tal poção o tal manjar dos deuses na cozinha, o filho e uma garrafa de prosecco me entretinham na sala. Eu sentia o aroma que vinha da cozinha e sinceramente não era daqueles de me dar água na boca. "Deixa de ser implicante, é tudo coisa da tua cabeça, ele vai trazer algo delicioso" meus pensamentos insistiam.

Finalmente ficou pronto. Depois de tanta expectativa e promessa fui apresentada com este prato na minha frente.

Risotto de Morango e Prosecco

Eu até experimentei, eu tentei. Enfiei uma garfada na boca, mastiguei, camuflei a decepção, quase engasguei mas engoli o troço. Não, não gostei. Como é que eu vou comer risotto com gosto e cheiro de morangos???? Logo eu que não gosto desse negócio de doce e salgado misturados, TODO MUNDO SABE!

Marido retorna com o prato à cozinha e o rabo entre as pernas. Filho quebra o silêncio com o comentário "Me deu pena do pai." O monstro a mãe responde "Eu também fiquei com pena, eu sei que ele estava super entusiasmado mas eu realmente não consigo nem fingir que gostei, eu não consigo comer fruta misturada com comida assim, não consigo."

Silêncio.

"- Mãe, há quanto tempo tu e o pai estão juntos?"

"- Há uns quinze anos."

"-Interessante..." diz o filho.

"-???"

"-Vocês estão juntos há quinze anos e ainda não se conhecem..."

Opa, caiu um lenço. Mas no momento certo o marido ressurge da cozinha com o sanduíche de bresaola mais bonito e mais gostoso que eu já comi na vida. 





E o meu desejo foi atendido, ganhei meu bolo de banana.




Viu só? No fim, tudo dá certo.

Tive um dia muito bom.  Me senti muito muito querida.

Obrigada, meu Deus, por tantas bençãos.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fina Frô


Assisti o jogo Brasil X Chile em casa com o Rafa e o Max.

Tô eu ali assistindo o jogo, super apreensiva porque futebol pode surpreender bonito, nervosinha, gritando para a tv, dando palpite e.....

-Mãe! Tu falou palavrão de novo!

-Eu? Claro que não!

-Falou, sim! Diz o marido.

-Mãe, tu falou aquele palavrão que começa com P.

-Qual? Pentelho?

-Não, outro.

-Porra?

-Não, aquele outro!

-Qual outro? Puta merda?

- Não, um outro!

-Qual? Que outro palavrão com p? Puta que pariu?

-Sim, esse ai!

-Que horror, esse guri sabe todos os palavrões em português, tenho certeza que não sabe nenhum em italiano, diz o marido em tom de censura (por que será....?).

-Sei sim, diz o guri

(Maravilha, tô salva, não sou só eu!)

- Ah é? E qual? Pergunta o marido surpreso.

-Merda! Responde a criança.

(Me ralei. Isso não é palavrão perto dos meus...)

Preciso prestar atenção do que sai da minha boca. Eu, palavrão? Nunca pensei.... que feio!

Mas, segundo uma pesquisa realizada na Inglaterra em 2009 por Richard Stephens da Universidade de Keele, dizer palavrão ajuda a diminuir a sensação de dor física e é uma resposta emocional natural.

Err... nah! Que desculpinha mais tosca!

Vai lavar a boca com creolina, vai!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Bliss


Hoje foi feriado aqui em Londres. Feriado de primavera... eu, hein! Claro que não vou reclamar ou entrar no mérito de um feriado de primavera. Qualquer feriado é bem vindo.

O dia amanheceu nublado e friozinho, mas sem previsão de chuva. Então fomos até Bedgebury Cycling Park, que fica em Goudhurst, há um pouco mais de uma hora de carro da nossa casa. Fica logo depois de Royal Tunbridge Wells, em Kent.



Bedgebury é um parque nacional que entre outras coisas oferece trilhas para ciclistas com dois níveis de dificuldade: 9 km de trilha para toda a família e 13 km de trilha para mountain bikes.

Estivemos nesse parque há exatamente um ano atrás, com a Sabrina e o Bernardo que estavam nos visitando.


Até a Daisy tinha ido junto. Mas esse ano não, além de ela estar fedorenta - por que não dão um banho na cachorrinha??? - a intenção era pedalar na trilha mais difícil e não acho que levar um cachorro no meio de ciclistas enlouquecidos numa trilha cross country seria uma boa idéia.

Aqui é a entrada do parque onde pagamos a entrada (8 libras esterlinas).



Depois de estacionar o carro fomos direto até o galpão onde alugam bicletas. Eles têm desde bicicletas para crianças, até uns carrinhos especiais, tipo umas carrocinhas que vão atrás da bicicleta e os bebês podem ir dormindo sossegados enquanto os pais pedalam. Ah! E também triciclos para adutos que não tiveram a oportunidade de aprender a equilibrar-se em 2 rodas.




Alugamos três mountain bikes e saímos pedalando. As bicicletas possuem 21 marchas e estão em excelentes condições de uso. Só que o aluguel eu achei um absurdo de caro, foram 18 libras esterlinas para cada bicicleta!



Com um mapa na mão do Max - bom, ano passado ele conseguiu que nos perdêssemos no meio do nada, hi hi hi - fomos atrás da trilha vermelha, aquela da elite toda cheia de buracos, sobes e desces, pedras, pontes, etc.


São uns exagerados! A trilha nem é assim tão medonha. Provavelmente em épocas de chuva quando fica tudo embarrado e escorregadio, sim, deve ser um horror de difícil. Mas nessa época do ano em que o chão está super seco, a única dificuldade são as subidas um tanto íngremes. Claro que consegui cair e esfolar os joelhos mesmo assim...



Foi uma manhã divertidíssima! Fiquei maravilhada com o Rafa que não cansou ou reclamou nenhuma vez. Muito pelo contrário, sempre disposto, cheio de energia e curtindo adoidado.

Nove milhas (ou 14 km) depois, terminamos de percorrer toda a trilha. Estávamos esfomeados porque os profissionais amadores aqui lembraram de carregar água mas esqueceram de levar um energético qualquer. Então devolvemos as bicicletas e fomos até o carro onde estava o nosso piquenique.

A idéia era almoçar no gramado ao redor do lago. Mas um vento gelado e a falta do sol não permitiram, então almoçamos dentro do carro mesmo.




O almoço foi massa com molho pesto e salada panzanella com ovo. E uma cervejinha para acompanhar.





Voltamos para casa exaustos, felizes e satisfeitos!