quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nada como um dia depois do outro

A semana passada foi estranha, chatinha. Tudo dentro da minha cabeça, claro. A semana em si tinha começado bem. Na segunda-feira tive o segundo encontro do curso de respiração consciente que estou fazendo e que foi bem interessante (explico ouro dia). Mas os outros dias foram  um tanto  esmorecidos,  vontade de dormir e dormir. Fiz um monte de “dormir” acompahado de vários cálices de vinho.


 Eu acho que é hormonal porque não encontro outra explicação. E como sempre, passou. No sábado eu até dei uma corridinha, coisa que não fazia há quase 10 dias.



Correr, está aí uma coisa que eu adoro fazer. Mas pensa que é fácil? Eu me encho de desculpas e vou deixando para depois. Quando não encontro mais deculpas, finalmente vou para a rua. E toda a vez me pergunto porque fui postergando tanto quando  me sinto tão bem por estar correndo.  Me dá energia e a cabeça dá uma arejada tremenda.



Para compensar, essa semana vai indo muito bem. Na segunda-feira, depois do trabalho, fui para a minha prática de ioga. Foi uma sessão intensa, puxada e ótima com a Kristi (Hot Yoga Flow 1 – Vinyasa). Toda suada e semi acabada, estava cogitando ir para o chuveiro quando vi a professora da próxima sessão, a Agneta. Nunca tinha feito aula com ela mas sempre quis experimentar (Hot Yoga Flow 2 – Vinyasa). Resolvi permanecer na sala. Foi uma prática excelente, super puxada e reforçou a minha constatação de que o meu centro de força (músculos que rodeiam e suportam o tronco, abdômen) e meus braços são bem fraquinhos. Mas tão lindo ver as poses da Agneta, os movimentos são tão elegantes e fluidos! Quando eu crescer quero ser assim.



Mais tarde, de banho tomado e de pijama, super confortável e na minha caminha lendo “A Clash of Kings” do George RR Martin, quem resolve se esparramar comigo? O Rafa, seguido pela Daisy. Os dois caíram no sono antes de eu conseguir expulsá-los e acordei várias vezes durante a noite, semi afogada debaixo de filho e cachorro.


Mas acordei feliz e tive um bom dia. 

Quando cheguei em casa depois do trabalho, preparei  massas de brigadeiro e branquinho (amanhã é meu aniversário!), me troquei e fui para mais uma sessão de ioga. Dessa vez com a Janine que tem um estilo mais exigente. Terminei a aula pingando de suor.

Acordei hoje com os ombros e braços doloridos mas me sentindo super bem. Hei de chegar lá um dia!









quarta-feira, 26 de junho de 2013

Que bom quando tudo dá certo


No domingo passado foi a rústica de verão do meu clube de corrida. Como é o clube que organiza, nós não corremos porque precisamos de todos os voluntários possíveis para ajudar no evento. Eu sou a responsável pelas inscrições e lá em abril já começo a receber solicitações pelo correio. Quanto mais perto do dia da corrida, mais inscrições chegam  e esse ano nós tivemos o nosso limite de corredores inscritos ( 350 ) quase uma semana antes da corrida.  

Sabe quanta gente apareceu no dia querendo se inscrever e simplesmente  não tinha lugar??? O nosso seguro só cobre até 350 participantes, então realmente não tinha como espremer mais gente.

O domingo amanheceu nublado mas não choveu e ainda bem, deu tudo certo. 

Corredores na largada

Carolyn abraçando o "poste" porque alguém acidentalmente puxou o cabo e o arco começou a desabar.  

E lá vem os entusiastas no começo dos 10 km!

No começo da corrida todos tem energia.


E esta tem que ser a melhor foto do dia. O Andy é muito engraçado!
Temos recebido vários emails nos parabenizando pela organização e agradecendo pelo evento. Um alívio que deu tudo certo. Muito orgulho do meu clube.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

As pessoas dizem cada uma!


Porque eu sigo Neil Gaiman no Twitter e no Goodreads fiquei sabendo da existência da Jen Campbell, escritora britânica que trabalha numa livraria em Highgate,  norte de Londres.  Eu adoro ler o blogue dela www.jen-campbell.blogspot.co.uk que começou como uma maneira de relatar seu dia-a-dia nada pacato na livraria.

Jen trabalha aqui.

 Jen já publicou várias poesias, contos curtos e acabou de lançar o segundo livro “More Weird Things Customers Say in Book Shops” (Mais Coisas estranhas que os clientes dizem em livrarias).


Numa das vezes em que eu passeava pelo blogue dela, fiquei sabendo que ela viria para esses lados do rio Tâmisa autografar e falar sobre o livro novo. Ela estava vindo bem aqui pertinho, na The Village Book Shop, em Dulwich. Que sorte a minha! Poder ir bater papo com uma escritora que eu gosto numa livraria independente e toda charmosinha num bairro ainda mais charmoso! Eu iria perder essa??? Claro que não!
Pois na quinta-feira passada a tardinha, lé estava eu com meu livro debaixo do braço, sentada na primeira fila. 

Essa é a The Village Books, em Dulwich.



O encontro foi super informal e aconchegante. Jen é uma fofa. Ela começou contando como veio para Londres depois de se formar em literatura inglesa, do seu trabalho como escritora e do trabalho meio turno na livraria. Assim como eu, Jen tem uma adoração enorme por livros e sente-se super feliz mergulhada neles ao redor deles.

A autora, Jen Campbell, com o primeiro livro "Coisas Estranhas que os Clientes Dizem em Livrarias"

Ela contou que quando começou a trabalhar na livraria, ouvia coisas muito engraçadas e também bizarras de alguns clientes e chegava a se questionar “será que aconteceu mesmo? Será que eu entendi bem? Não pode ser!”. Para manter a sanidade, começou a relatar os episódios no blogue, o que foi ótimo pois muitas outras pessoas que também trabalhavam em livrarias e bibliotecas, identificando-se com seus relatos,  partilharam suas próprias experiências estranhas. Ufa, não era só com ela!

Abaixo, uns trechinhos do livro (tradução minha). Jen jura que é tudo verdade, pessoas reais disseram essas coisas:

Cliente: Você pode me recomendar um livro de magia para ressucitar bichos de estimação?
Atendente: ...
Cliente: Apenas animais, entende – pessoas não! Eu não quero que o meu marido ressucite.

Cliente: Onde posso encontrar um livro sobre William Shakespeare?
Atendente: Provavelmente na sessão de biografias. Eu dou uma olhada pra você.
Cliente: Mas não seria em ficcão? Quero dizer, não é que ele tivesse sido uma pessoa real, não é?

Cliente: Você tem algum livro em como fundar países? Eu quero saber se é possivel declarar meu jardim nos fundos de casa como uma nação separada.

Cliente: Estou procurando aquele livro... Romeu e Julieta. É sobre uma briga entre os DiCaprios e outra gangue. Coisas de gangues de rua.
Amigo do cliente: É. É a história verdadeira do Leonardo DiCaprio.

Cliente: Hoje a noite, no nosso grupo religioso, faremos uma fogueira para queimar livros. Quero todos os seus livros sobre bruxaria.
Atendente: ...
Cliente: Ah! E como não vamos ler os livros, então espero que você me dê um desconto. Estamos fazendo um favor ao mundo queimando esses livros, entende?

Cliente: Eu não gosto de biografias. A personagem principal sempre morre no fim. Tão previsível!

Cliente: Onde estão os seus livros sobre guerra?
Atendente: Na sessão de história. Nossa sessão de história é dividida entre história Britânica, Européia, Americana e história do Mundo. Livros sobre qual guerra você está procurando?
Cliente: Eu queria um livro sobre a história da guerra entre os vampiros e lobisomens.
Atendente: ...
Cliente: Onde eu posso encontrar tais livros?

Cliente: Você tem algum livro de Natal sobre aquele bebê famoso?

Tem uma montanha de situações assim. É super engraçado. E muito triste ao mesmo tempo porque enquanto Jen e o pessoal no encontro eram super politicamente corretos (como todo inglês), tudo o que eu pensava era “mas que gente mais ignorante!” Como tem gente pá da cabeça. Tragicômico.

Mas nem tudo é bizarrice e Jen também narra situações legais sendo as mais fofas com crianças. Criança diz cada uma! Aqui vai uma das minhas preferidas:

Criança: Mamãe, quem foi o Hitler?
Mãe: Hitler?
Criança: Sim. Quem foi ele?
Mãe: Erm... ele foi um homem malvado que existiu há muito tempo atrás.
Criança: Ah... Malvado como?
Mãe: Ela era como... como o Voldemort!
Criança: Uau! Então ele era muito malvado mesmo!
Mãe: Sim, era.
Criança: (pausa) Então, o Harry Potter matou ele também?

Que pena que eu esqueci totalmente de tirar fotografias do evento. As que eu coloquei aqui, com exeção dessa aí embaixo, catei na internet.

Esse é o meu livro autografado



quinta-feira, 2 de maio de 2013

Além da base e do rímel - um evento French Chic


Não sei se já comentei antes e quem me conhece sabe: eu não sei me maquiar. Consigo tacar uma base, um rímel e um gloss ou batom natural. Na verdade nem sei porque perco meu tempo com gloss ou batom porque não dura nada na minha boca, eu atravesso a rua e já não tem mais nada. Eu sou atrapalhada, sabe? Além do que, esse negócio de perder tempo na frente do espelho aplicando e removendo maquiagem não é comigo. Sou daquelas que acorda de manhã,  passa uma água no rosto e pronto, nem escova o meu cabelo precisa (viva a escova progressiva. Tô sempre correndo, sou desorganizada e preciso que os dias tenham mais horas para eu poder fazer tudo o que preciso.

Mas acho o máximo quem sabe usar maquiagem. Acho lindo mesmo e as poucas vezes que deixei me maquiarem até cogitei tentar aprender. Quem me deixava lindona era a Rachel, ô bichinho que sabe fazer arte no rosto! Mas ela fugiu pra Suécia...

Então, quando a minha amiga norueguesa Cat sugeriu que contratássemos a Letícia e a Carole para uma noitada French Chic eu topei no ato. Melhor eu explicar.

A Letícia e a Carole são francesas, a Letícia é make-up artist da Max Factor e a Carole é personal stylist (consultora de imagem). As duas são sócias e oferecem seus serviços para pequenos grupos. Elas ensinam a aplicar maquiagem e dão dicas de como usar e jogar roupas e acessórios. Funciona assim: um grupo de no máximo 6 pessoas se reúne na casa de uma das aprendizes. No nosso caso, o evento aconteceu na casa da Cat, regado a vinho e petiscos. Sentadas ao redor da mesa com toda a parafernália que iremos utilizar na nossa frente (espelho, desmaquilante, tonalizante, hidratante, maquiagem, algodão, etc, etc, etc), a Letícia, usando a Carole como modelo, vai mostrando e explicando passo a passo o que fazer.  O grupo vai copiando no próprio rosto.

Elas vão explicando tudinho e até deram uma paradinha aqui e ali para me ajudar as mais atrapalhadas. Depois da maquiagem, a Carole fala sobre o que ela faz como consultora de imagem e dá uns exemplos de como jogar peças de roupa. Muito bacana o que ela mostrou mas como ela tem um corpinho de miss e bom gosto, ela fica bem até vestida com um saco de lixo. Dá pra contratar a Carole para organizar o guarda-roupa ou ir comprar roupas. Ela descobre maneiras diferentes de usar as peças de roupa que nem sabíamos que tínhamos.  Mas eu acho que nesse departamento de se vestir eu não tenho muitos problemas.  Também confesso que não me sentiria muito confortável com alguém fuçando no meu armário. Sei lá.

Realmente foi uma noite super agradável e divertida, adorei e recomendo. Nós tínhamos pedido uma aula básica, os princípios da maquiagem. Foi tão legal que estamos pensando em organizar outra noite French Chic, desta vez para aprender a esconder ou acentuar traços.

 E olha aqui embaixo o resultado do antes e depois:


Agora eu preciso de uma aula de como posar para fotografia. Tô sempre fazendo careta, que tristeza!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Relato da Maratona de Paris - 7 de abril 2013


Fui para Paris de Eurostar com outras 19 pessoas do meu clube de corrida. Enquanto 9 correram a maratona, as outras  11 foram como torcida de apoio. É bacana você ouvir os amigos gritando o seu nome e encororajando ao longo do percurso, principalmente quando tudo o que se quer é desistir, que a tortura termine de uma vez.


Sexta-feira - 5 de abril

Chegamos em Paris no meio da tarde e fomos direto ao hotel. O hotel era bem bonzinho, tudo limpinho e bem localizado. Depois de fazer check in e largar as bagagens fomos até o centro de exposição da maratona para entregar o exame médico, pegar os números e a sacolinha dos brindezinhos bestas e dar um olhada na exposição.



A noite, tínhamos reserva numa brasserie perto do hotel. Fazendo parte de um grupo de 20 pessoas, todos corredores onde 9 iriam correr uma maratona no domingo, você teria certeza que vinho e cerveja estariam fora dos pedidos, não? Ha! Tudo começa com "só um cálice" aqui, "só uma cervejinha, afinal, estamos em Paris" ali e pimba! Somos os últimos a deixar o restaurante, alegres e contentes e com o cérebro nadando em vinho e cerveja.


Sábado - 6 de abril

No dia seguinte... um grupo de corredores perambulando por Paris, sendo uns com mais e outros com menos ressaca. O dia estava lindo e só porque passamos bem em frente, resolvemos dar uma paradinha no Les Deux Magots, o tal café que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir costumavam frequentar. Sempre tinha ouvido falar que garçon francês é super grosseiro e estava convicta que era difamação pois em todas as vezes que estive na França nunca tinha sofrido nas mãos de nenhum garçon mal educado. Tolinha, fui finalmente batizada no café Les Deux Magots. Pensei que o garçon fosse nos bater quando pedimos uma mesa. Juro que me deu medo. Deu também uma vontade malvada de dar uma de inglesa e pedir água da torneira, mesmo que não fosse beber. Mas acabei pedindo uma diet coke quase debaixo da mesa de tão encolhida. Por sinal, foi a diet coke mais cara que paguei na vida, 7 euros e 30 centavos por uma garrafinha! Não, não vi nada demais no Les Deux Margots. 




Atravessamos o rio Sena, continuamos perambulando e não pude resistir, tive que comer um crepe de nutella com banana. Como eu gosto de crepe em Paris!

A noite conseguimos encontrar um restaurante italiano onde fomos cedinho nos entupir com mais carboidratos - sem álcool para mim dessa vez - e retornamos ao hotel, afinal, amanhã seria o grande dia.




Domingo - 7 de abril - Maratona

Acordamos cedinho e depois do café da manhã pegamos o metrô lotadinho com outros tantos corredores que também se dirigiam ao Arco do Triunfo, onde era a largada ( e final ) da maratona. Um mundaréo de gente.



Um dia lindo de sol apesar de estar ainda friozinho por ser muito cedo. Filas imensas para os cubículos espalhados pela área. Tive que encarar a fila porque a minha bexiga sempre resolve se fazer presente antes de uma corrida, muito chata. Uma eternidade depois, finalmente chegou a minha vez. Não sei da onde o corpo consegue produzir tanto xixi.

Me dirigi para a largada que aconteceu na hora prevista mas era tanta, mas tanta, mas tanta gente que cruzei o ponto de partida uma hora depois. Sim, eu estava lá no fundão, não vejo porque me meter lá na frente quando corro a lá pangaré e principalmente quando tem chip para controlar o tempo do ponto de partida ao ponto de chegada.



E adivinha quem resolveu dar o ar da sua graça logo na saída? A chata da bexiga! Adivinha se agora haviam cubículos espalhados? Claro que não. Vi um montão de corredores fazendo xixi nas esquinas. Homens, claro. O processo é bem mais complicado para nós mulheres e uma mera esquina não é o suficiente. Comecei um mantra mental “isso é emocional, tu não precisa fazer xixi, já descarregou um galão há pouco tempo, segue”. Mas a chata da vontade era insistente, não me largava.
Menos de 10 quilômetros depois e estávamos passando por um parque. As moitas estavam ressecadas e não tinha como se esconder totalmente mas não pude evitar. Me enfiei na melhor moita que eu encontrei (um bando de corredores fazendo a mesmíssima coisa) abaxei as calças e fechei os olhos. Se eu não posso ver os outros, os outros não podem me ver também. Então, protegida por uma semi moita ressecada, com meu amplo bundão de fora, de olhos fechados e rezando para ninguém chegar muito perto, descarreguei 2 galões de xixi.

De volta ao percurso, me senti aliviada e mais leve. Retornei ao meu trotezinho, tudo o que eu queria era completar a maratona.

A cada 5 quilômetros nos ofereciam água, laranja, banana, cubinhos de açúcar e uvas passas. Eu me atracava nos gomos de laranja. Meu corpo pede laranja quando eu corro, eu adoro corrida que oferece gomos de laranja. Só por isso eu resolvi que a maratona de Paris era a melhor do mundo.

Tudo foi indo muito bem, meu passo era consistente, me sentia ok. Nem me lembro em que altura passei pelos nossos torcedores que foram uns fofos gritando meu nome. Teve um, o Richard que saiu correndo atrás de mim e até tascou um beijo! E eu me sentia bem!!! Só que essa foi a minha terceira maratona, eu sei que de repente tudo muda. Foi lá pelo quilômetro 30 que eu comecei a sofrer. O corpo dói, as pernas dóem, tudo dói. Aí tem que ficar o tempo todo mandando embora aquela vozinha maquiavélica que tenta te convencer que tu não vai conseguir e que tá tudo errado. Tem que ficar se convencendo que vai dar sim, que é apenas mais 1 hora e poucos, já correu tudo isso, corre mais um pouco e etc, etc, etc.

Eu pensava no Rafa. Já pensou a cara de decepção se a mãe dele não completa a maratona, não leva uma medalha pra casa? Não, eu tinha que seguir em frente nem que tivesse que me arrastar. Lá pelo quilômetro 33 eu não conseguia mais correr. Mal caminhar. Me sentia a moura torta. Um brucutu destemido. Sério. “Caminhei” por 5 quilômetros. Não vi nada, não vi paisagem, nem tirei foto. Até meus dedos doíam! Eu só conseguia olhar para o chão já que levantar o pescoço doía também. No quilômetro 38 voltei a “correr”. Faltava muito pouco agora.
42.16 quilômetros depois e cruzo a linha de chegada. Que alívio! E não fui a última, não. Uma enxurrada atrás de mim.

De volta ao hotel, tomei um longo banho e, enquanto meus amigos faziam happy hour, fui dormir. Corridas sempre me dão vontade de dormir depois.
Nos encontramos no mesmo restaurante da sexta-feira para jantar. Comi um filezão maravilhoso e bem ensanguentado com batatas sautée. Divino. Entre uma garfada e outra, planejávamos onde seria a próxima maratona.





Segunda-feira – 8 de abril

Hora de voltar pra casa. Pernas doloridas da corrida e gargantas roucas da torcida. Chegamos em Londres às 3 da tarde.

Dei minha medalha para o Rafa.

Adorei a maratona de Paris. Não é tão alegre e festiva como a de Londres, mas bem legal. Eu sou um zero a esquerda como corredora mas sei lá porque tenho essa fixação com maratonas. Ano que vem quero correr outra. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Treinar para mais uma maratona? Claro, barbada...

Sabe quando é a maratona de Paris? No próximo domingo. Sabe como foi o meu treino? Muito decepcionante. 

Eu comecei bem, super bem. Comecei o treino em outubro. Vinha seguindo a planilha mais do que bem: quando dizia 10 km eu corria 12, quando dizia 6 km, eu corria 8. E saía para correr religiosamente 5 vezes por semana. Achei que as férias no Brasil em dezembro/janeiro fossem me desviar do meu treino, mas não. Consegui manter. Daí eu volto para Londres, continuo firme, só que começa a nevar. Mas eu saio para correr mesmo com neve. Só que neva demais. Mas eu não dou o braço a torcer e vou para a esteira. E então, é quando o drama começa. Primeiro é uma dorzinha muito chata na parte da frente das canelas - split shins - e logo em seguida a chata da cintura direita resolve não bem doer, mas, digamos, se fazer presente. Claro que eu resolvo ignorar. Teimosa, vou "correr" na rua e não demora muito para eu estar tão seriamente capengando que finalmente dou-me conta que realmente não dá mais. Sem outra opção, tiro uns dias de descanso. 

Quase duas semanas depois e não sinto mais nem a cintura direita nem as canelas. Aliás, me sinto tão bem que me dou conta que tinha um amontoado de dores que eu vinha ignorando e que agora se foram.Viva! Um corpo novimho e descansado. Vou poder participar da corrida de 33 km (20 milhas) que se aproxima.

Quase 2 semanas sem correr parece nada, mas conta horrores num treino. Essex 20 milhas é a minha primeira corrida (e no caso, a única) antes da maratona, aquela para testar como vai indo o treino. O dia estava bom, não muito frio e sem chuva. O percurso foi bem legalzinho, sem nenhuma subida horrorosa, ondulado na medida certa. Apenas 3 voltas num vilarejo fofo, com vaquinhas e cavalos nos olhando pela cerca. Entrei na segunda volta me sentindo super bem e forte, vai ser sopa, pensei. No final da segunda volta e eu nem acreditava que estava indo tão bem. "Se continuar assim vou terminar em menos de 3 horas! Que beleza!", pensou a delirante.

Bah! Mal começo os últimos 10 km para o corpo e a cabeça começarem a incomodar. Meu trote começa a diminuir drasticamente, todos os gordinhos e asmáticos do mundo começam a me passar e eu vou ficando cada vez mais pra trás. Faltam 5 km para terminar e eu estou quase me arrastando. Depois de uma eternidade, finalmente cruzo a linha de chegada. 

Completei a prova em 3hs 12 mins 21 segs. Muito decepcionada com a última volta. Mas deixa, "ainda tem tempo, ainda posso correr atrás", pensou a esperançosa.

Dois dias depois saio para correr e adivinha quem me ataca com tudo? Esta porcaria desta dor na cintura, do lado direito, parece que é no osso, parece na coxa, eu nem sei, só sei que me faz capengar feio. Desde então parei de treinar para a maratona em si. Faz mais ou menos 1 mês que eu chutei o balde. E na sexta-feira estou indo para Paris. 

Se eu vou correr a maratona? Nem que eu me arraste, mas eu cruzo a linha de chegada!

(Ah! Mas uma coisa boa veio disso. Quando me dei conta que não ía poder mais treinar para essa maratona, fui experimentar yoga - sempre quis - para dar uma alongada nesse corpo. Gostei tanto que não sei como vivi sem até então. Tenho praticado quase todos os dias).


segunda-feira, 18 de março de 2013

Conselho depende do ponto de vida do observador


No último encontro do clube do livro, discutimos a obra 'Washington Square' do autor americano naturalizado britânico Henry James. É um livro curto, de umas duzentas e poucas páginas e originalmente publicado em 1880.

O livro conta a história de Catherine, uma moça doce e devota ao seu pai, um médico viúvo rico e bem sucedido que não vê nada de especial na filha. Ambos moram em Washington Square, Nova Iorque, com uma tia intrometida devota, irmã do pai.

Quando Catherine apaixona-se e resolve se casar, o pai não perde tempo em pesquisar quem é o corajoso que quer casar com sua filha tão sem graça (segundo ele, porque a moça é gente boa). Ele logo conclui que o moço é um interesseiro que está atrás do dinheiro de Catherine e simplesmente decreta que se ela for adiante com o casamento, ele a exclui da herança.

Catherine fica profundamente magoada com o pai que tanto adora e respeita. Não que ela precise da herança, ela tem dinheiro suficiente que herdou da mãe. O que a magoa é a falta de apoio do pai, pois ela tem certeza que se o pai desse uma chance ao moço, veria que ele tem sinceras  intenções.  Catherine tem que escolher entre a herança (respeito ao pai) e o homem que ama.

Não, não vou estragar e contar o que acontece ou como termina o livro. Sim, o enredo soa (e é) bobo e sem graça mas, para minha surpresa, adorei e devorei cada página. Gostei demais da maneira como o autor explora o desenrolar dos relacionamentos.

O que mais me chamou a atenção foi a posição desse pai em relação à filha. Independentemente de ele estar certo ou errado quanto às intenções do pretendente da filha, até que ponto ele deveria ou não deixá-la cometer o que para ele seria um grande erro? Até que ponto se pode ir para tentar impedir que alguém que amamos não cometa o que para nós está na cara que é uma roubada?

O livro explora essa  complicada questão que envolve mil e uma nuances das diferentes personalidades e caráter que são tão bem explorados pelo autor (e o que me prendeu).  Mas e não é assim sempre? Não é sempre tudo muito relativo a quem as pessoas envolvidas são naquele momento, no que elas estão prontas para abrir mão ou no que elas estão conseguindo enxergar ou não?


Lembro de ter lido no facebook o discurso de uma amiga que defendia fervorosamente que conselhos são sempre dados com as melhores intenções, por quem nos ama e nos quer bem e que então (eu jurando que ela fosse dizer "daqui pra frente vou ouvir os conselhos que me dão com mais atenção) era para levarmos os conselhos dela a sério.

Tem aquele velho ditado "se conselho fosse bom não se dava, se vendia!" e a verdade é que todo mundo tem boas intenções ao dar conselhos. Só que conselhos são baseados na própria experiência, visão de mundo e momento de vida de cada um. Todos nós já vimos pessoas queridas fazendo besteiras e escolhas erradas, aprontando a própria cama e ignorando qualquer bom senso e os tais conselhos. E pum! Lá vai a criatura espatifar a cara na parede, bem como prevíamos. As vezes ouvimos um bem que me disseram... Mas também acontece muito de estarmos errados e o que parecia ser uma doideira na verdade acabou sendo uma coisa boa. E tem vezes que, graças aos conselhos que nos deram, acabamos nos saindo bem.

A verdade é que cada um tem a sua história e carrega a sua bagagem. E como li em algum lugar, a gente pode até ter certeza absoluta do que disse, mas o que o outro ouviu nunca se vai saber ao certo.

Talvez o mais importante não seja dar conselhos ou saber recebê-los mas sim poder contar com quem nos ama, respeitar a individualidade e o tempo de cada um, ter uma mão amiga para nos re-erguermos quando caímos um tombo. Porque cair, todo mundo cai, uns mais outros menos, faz parte da arte de viver e aprender. 


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Galinha no Parcão


O meu primeiro dia em Porto Alegre nestas últimas férias de Natal caiu num domingo. Um domingo lindo de sol. Do terraço do apartamento do meu pai dá pra dar um belo bom dia para o sol e encher os olhos com o mar de árvores verdinhas que se estende em frente cobrindo o Parcão.

O Rafa diz que parece uma floresta tropical.

Lá de cima dá para ouvir o alvoroço dos passarinhos e o trote das pessoas caminhando ou correndo. E aquele solzão lindo! Aí eu começo a me coçar de vontade de descer para ir correr. 

O Parcão é um parque bem querido pelos seus frequentadores. Além da turma que vai religiosamente caminhar ou correr, o pessoal adora levar os cachorros para passear, sentar na grama, tomar mate, levar as crianças na pracinha ou jogar comida para os patos e tartarugas no laguinho.







Às vezes, principalmente nos fins-de-semana e à tardinha, o Parcão super lota, enche de gente, fica parecendo shopping center em sábado chuvoso. Aflição e claustrofobia.  É que o Parcão não é um parque muito grande, não. Para ter uma idéia, o percurso mais longo é contornando o parque e mal dá 1 km, mesmo indo obsessivamente pela beiradinha. Correr no Parcão não é muito diferente de "brincar de hamster" ou "correr atrás do próprio rabo". Mas é seguro, tem sempre gente e a polícia está sempre presente patrulhando.

Mas voltando ao meu primeiro dia de férias em Porto Alegre: aquele domingo lindo de sol e o parque lá embaixo me convidando para ir correr. Fui, é claro. Branquela e sem pegar sol há mais de um ano, me emplastei de protetor solar, catei meu óculos esportivo e desci bem feliz. 

Ainda não estava lotado de gente, mas começando a encher. Resolvi correr pelo sentido horário. Tinha acabado de engatar um trotezinho quando vejo pelo canto do olho uma viatura da polícia estacionando no meio fio da calçada. Beleza. Segurança.

Como boa obsessiva, vou contornando o parque pela beiradinha para fazer esse 1 km render. No caminho, quase piso em cima  dos restos de um lixo colorido, um monte de fitinhas e balões estourados espalhados num pequeno círculo. Gente mal educada, sujando um parque tão cuidadinho!

Uns 7 minutos mais tarde, passo mais uma vez pelos brigadianos (são 3), que estão em pé na calçada com a porta da viatura aberta pois a temperatura já estava meio alta.  Eu firme, já suando e penando, as tartarugas nas pedras tomando sol, os patos no lago fazendo o que patos fazem no lago, o parque enchendo de gente , os cachorros correndo felizes pelos gramados, eu estou prestes a passar pelos brigadianos pela terceira vez e.... uma galinha! Sim, uma galinha grande, gorda, marrom, ciscando o chão e bem mansinha. Não estava com medo das pessoas e parecia bem tranquila. Ninguém tentava pegá-la ou assustá-la, parecia super bem integrada ao ambiente. Como se pertencesse ao parque. Como se fosse a coisa mais natural do mundo uma galinha no Parcão.

Como o meu querido cérebro com seu senso de percepção do mundo das fadas e dragões leu a cena?

Num primeiro momento achei estranho, não lembrava de ver galinha em parque antigamente, vai ver que esqueci. Logo em seguida achei que seria engraçado quando eu comentasse com os gringos que no Brasil você encontra "galinha de rua" (alguns, eu juro, esperam macacos, cobras tigres e elefantes pela cidade...). Mas a galinha estava tão tranquila e confiante ciscando aos pés dos brigadianos sorridentes que me veio a luz - um dos brigadianos era o dono da galinha e estava levando ela para passear! Por isso que a porta da viatura estava aberta! Para a galinha entrar e sair quando bem entendesse!

Finalizei meus 10 km e voltei para casa. Tomei um belo banho de chuveiro gelado e já tinha esquecido da galinha quando voltou a ser assunto.

-Mãe! Tinha uma galinha no Parcão!

-Sim, filho, eu vi. Acho que era dos brigadianos.

-O quê? Não, acho que não. Me disseram que ela deve ter sobrevivido alguma macumba durante a noite.

E foi então que lembrei do lixinho colorido no meu trajeto. Coitada da galinha. Fiquei torcendo para que ela fizesse do Parcão um novo lar, ela parecia tão feliz!

Mas é claro que no dia seguinte já não tinha mais nem sinal da penosa.