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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Alexmoon Bookclub

O meu clube do livro completou 2 anos de vida esse mês. Festejamos com uma festa à fantasia na casa da Lidia. A idéia era irmos vestidas como a personagem de algum livro, qualquer livro e não necessariamente um dos já lidos pelo grupo. Durante a festinha teríamos que adivinhar as personagens uma das outras.

O Alexmoon Book Club é formado por catorze mulheres. Começamos com oito e aos poucos foi aumentando (e continua). Ninguém até agora desistiu, todo mundo que vem num primeiro encontro sempre retorna. We are awesome!


A nossa festinha foi bem bacana, a metade do grupo participou.





Logo que eu cheguei, antes mesmo de soltar a bolsa, a Cat aproximou-se com uma bandeja cheia de chocolates e bombons e um sorrisão.

 "Não, obrigada!" diz a abobada aqui com um sorriso também.

"Mas eu não estou te oferecendo chocolate!" responde a Cat com uma cara de adivinha quem sou eu.

E aí me cai a ficha...




Essa é a Cat vestida como Vianne Rocher, do livro Chocolat da autora Joanne Harris.


Logo em seguida eu notei a Kate. Com certeza ela estava vestida como uma personagem de uma história de época. Hmmmm....  Kate é polonesa, casada com um inglês e ama e venera tudo o que é britânico. De quem ela veio vestida?




Kate como Elizabeth Bennet, do livro Orgulho e Preconceito da autora Jane Austen.

A próxima foi a Tanya. Tanya estava vestida de diaba, com chifres e tudo. Ninguém ainda tinha adivinhado. "O livro é conhecido?" perguntei. Ela disse que sim, que ela era a personagem principal de um clássico inglês pré Shakespereano. Hmmmm... Só me vinha Inferno, de Dante, na cabeça, só que é certo que não era porque o diabo não é a personagem principal além de que Dante é italiano. Mas lembrei de um autor inglês que eu sei que inspirou-se em Dante para escrever sua obra-prima. Confesso aqui que não li o livro mas resolvi arriscar "Por acaso não seria a livro Paraíso Perdido, de Milton?" Na mosca. Me senti super inteligente e arranquei vários uaus e ohhhs!





Tanya como o Diabo, do livro Paradise Lost, de John Milton.


Enquanto tagarelávamos entre golinhos de vinho e deliciosos petiscos, Lilly e Eliza chegaram. Lilly estava impecável como a personagem de um dos livros que foi lido pelo grupo, um livro publicado nos anos 50.


Lilly como Caroline, do livro The Best of Everything, da autora Rona Jaffe.

Eliza foi outra que veio vestida como a personagem de um livro recentemente lido pelo grupo. Ela estava com um vestido lindíssimo e era a personagem encarnada!





 Lilly como Anna Karenina, do autor Leo Tolstoy.


Ah! Tem eu também. Eu tinha pensado em ir como Lisbeth Salander, do livro The Girl with the Dragon Tatoo do autor Stieg Larrson. Teria sido óbvio e fácil de adivinhar mas não daria tempo de emagrecer 30 quilos em tão pouco tempo e estava muito calor para couros e botas. Fora que meu cabelo é muito comprido para conseguir engendrar um moicano.

Resolvi representar um dos meus livros preferidos, O Circo Da Noite, da autora Erin Morgenstern.




 Eu vestida de revêur - uma fã do Circo da Noite que se veste em tons de preto ou branco com um detalhe vermelho e segue o circo pelo mundo. Fácil (apesar de que os reveurs são mais glamourosos e 19th century na escolha do guarda-roupa...), mas claro que ninguém acertou porque só eu li esse livro. E mais uma vez, é um dos meus livros favoritos. Recomendo.

Foi uma noite muito divertida.




Para não perder a fama, aqui estou eu agarrada na garrafa de vinho rosé. E essa é a Lídia, nossa hostess. Ela resolveu que não estava vestida de nenhuma personagem pois não teve tempo de pensar em nada para vestir. 

Eu reconheço que já reclamei das escolhas de leitura que o grupo faz. Não sou muito fã de leitura de "mulherzinha" e costumava me decepcionar com a qualidade das discussões, me parecia tudo sempre tão superficial, tudo sempre no concreto e cheio de moralismos e julgamentos fúteis. Não sei quando foi que resolvi mudar a minha postura. Hoje eu só curto e não me decepciono mais pois sei o que esperar. E sabe o que acontece desde então? Eu me surpreendo com os raros insights do grupo, com a montoeira de pérolas que surgem nos encontros e, principalmente, me divirto muito com o grupo. Elas também trazem histórias, as histórias de vida delas e cada encontro é um capítulo novo (e só eu sei o quanto os 'meus capítulos' devem ter incomodado...). A vida fica tão mais divertida e fácil quando a gente se dá conta que a chata era a gente mesmo passa a aceitar as pessoas como elas são, não é mesmo? 

Um brinde e parabéns aos 2 anos do Alexmoon Bookclub!





domingo, 7 de julho de 2013

Parabéns a você!

O pessoal do escritório da empresa onde eu trabalho tinha um costume, ao meu ver estranho,  em relação aos aniversários. A criatura que estava de aniversário é quem trazia o bolo e as guloseimas, depositava-os no balcão da cozinha, preparava seu café ou chá e seguia para a sua mesa para mais um dia de trabalho. Eventualmente, um de seus colegas iria até a cozinha preparar seu café ou chá e vendo o bolo e as guloseimas no balcão se daria conta de que alguém estava de aniversário. “Oba, doce!” Dependendo do seu humor, boa vontade e caráter, tal colega procederia com uma das ações a seguir:

1 – investigaria quem está de aniversário, parabenizaria o anivesariante e espalharia a notícia pelo escritório;

2-  espalharia pelo escritório a notícia de que tem aniversariante na área e de que os doces e bolo estão na cozinha, oba;

3- servir-se-ía de doces, bolo e café ou chá e voltaria para sua mesa contente que algum aniversariante trouxe doces.

Não me parecia muito certo isso. Então, depois de quase dois anos sendo traumatizada de aventuras no Alexmoon Café e de volta à minha querida empresa, aproveitei as mudanças ali ocorridas (enquanto estive fora, a empresa havia sido comprada por um grupo de investidores e várias reformas administrativas tem sido desenvolvidas) para implementar o ”programa do dia do aniversariante”.  

E como é esse programa?

Pois bem, o aniversariante continua trazendo os doces e guloseimas (mudanças muito radicais não pegam, tem que criar em cima do costume), mas agora, a criatura também recebe um cartão de aniversário assinado por todos no escritório além de ter pôsteres pendurados na cozinha e na entrada do escritório com o nome da criatura. Assim, não tem como não saber quem é o aniversariante do dia.

Muito melhor, não?

Já faz mais de um ano que o programa entrou em vigor e tem sido o maior sucesso. Somos mais de 15 pessoas no escritório, quase todo mês tem alguém de aniversário. Os aniversariantes esperam receber o cartão e ver seus nomes pelas paredes. Quem não gosta de carinho?

E na quinta-feira, dia 4 de julho, foi o MEU aniversário.


Fiz meu próprio bolo e brigadeiros.

Ganhei meu cartão assinado por todos.




Tinha poster pendurado também!



No final do dia, na saída do escritório, Kevin, um dos nossos operários, me chama para perto da sua van. Puxa um violão e canta Happy Birthday pra mim! Achei um amor, me emocionei. A bit creepy, nonetheless.



Minha irmã me deixou uma mensagem tão linda no Facebook! A Claudia é muito especial. A Claudinha é muito sincera, quase beirando à ingenuidade. Ela não tem agenda ou segundas intenções, ela fala as coisas como sente, como são. Ela não tem meio termo: ou gosta, ou não gosta. Eu amo muito a mimha irmã mas ela será assunto para outras postagens, he, he!




Em casa, recebi um telefonema do meu pai. Ele, a Helena, o Pedro e a Claudia estavam reunidos almoçando e brindaram pelo meu aniversário, rezaram uma Ave-Maria e me mandaram essa foto.




Falei com todos.  Me senti tão querida!

O meu jantar de aniversário é que foi tragicômico especial. Tudo o que eu desejava era um bolo de banana, mais nada. Mas o marido insistiu em preparar um jantar surpresa.

-Nunca fiz esse prato antes, mas encontrei essa receita maravilhosa, se der certo vai ser um manjar dos deuses.

 Lá vem bomba.

-Me dá uma dica, vai.

-Aposto que tu nunca ouviu falar desse prato, mas posso te assegurar que tu gostas de todos os ingredientes.

Com certeza, lá vem bomba.

Enquanto o marido preparava a tal poção o tal manjar dos deuses na cozinha, o filho e uma garrafa de prosecco me entretinham na sala. Eu sentia o aroma que vinha da cozinha e sinceramente não era daqueles de me dar água na boca. "Deixa de ser implicante, é tudo coisa da tua cabeça, ele vai trazer algo delicioso" meus pensamentos insistiam.

Finalmente ficou pronto. Depois de tanta expectativa e promessa fui apresentada com este prato na minha frente.

Risotto de Morango e Prosecco

Eu até experimentei, eu tentei. Enfiei uma garfada na boca, mastiguei, camuflei a decepção, quase engasguei mas engoli o troço. Não, não gostei. Como é que eu vou comer risotto com gosto e cheiro de morangos???? Logo eu que não gosto desse negócio de doce e salgado misturados, TODO MUNDO SABE!

Marido retorna com o prato à cozinha e o rabo entre as pernas. Filho quebra o silêncio com o comentário "Me deu pena do pai." O monstro a mãe responde "Eu também fiquei com pena, eu sei que ele estava super entusiasmado mas eu realmente não consigo nem fingir que gostei, eu não consigo comer fruta misturada com comida assim, não consigo."

Silêncio.

"- Mãe, há quanto tempo tu e o pai estão juntos?"

"- Há uns quinze anos."

"-Interessante..." diz o filho.

"-???"

"-Vocês estão juntos há quinze anos e ainda não se conhecem..."

Opa, caiu um lenço. Mas no momento certo o marido ressurge da cozinha com o sanduíche de bresaola mais bonito e mais gostoso que eu já comi na vida. 





E o meu desejo foi atendido, ganhei meu bolo de banana.




Viu só? No fim, tudo dá certo.

Tive um dia muito bom.  Me senti muito muito querida.

Obrigada, meu Deus, por tantas bençãos.


quinta-feira, 5 de agosto de 2010

10 anos

Hoje foi aniversário do Rafa.

Eu tenho um filho de 10 anos.

Socorro.

E obrigada meu Deus, por me abençoar com esse filho lindo, querido, amadíssimo. Ele só me traz alegrias.

O aniversário envolveu futebol, é claro. Ou melhor, foi sobre futebol. O Rafa escolheu uma festinha no Goals Center e acontece da seguinte maneira: os convidados chegam as 4 da tarde para uma hora de partida de futebol com um treinador. Depois da partida há uma pausa para o lanche e cantar parabéns. Por fim, mais futebol até os pais virem buscar as crianças as 6 horas (como adoro esse negócio de horário limite que é a coisa mais normal e natural do mundo nas festas de criança aqui).




Quem tirou as fotos e filmou a partida de futebol foi o pai da criança que, achando que a festa fosse a fantasia, foi de Brutus Lenhador.




Depois da partida, os parabéns.




A orgulhosa mãe da criança com a amiga Rachel.




Foi um dia bel legal.

Ah!!! Notaram o kit do aniversariante?

Como é bom ser COLORADO!!!!














Happy Birthday Rafa!!!







segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O meu pai é o melhor

Como todas as crianças, eu e minha irmã éramos loucas por chocolate. Barras de chocolate ao leite, iogurte de chocolate, bolo de chocolate, brigadeiro, sorvete de chocolate, qualquer coisa de chocolate. Lembro de inúmeras tardes vasculharmos os bolsos dos casacos dos nossos pais atrás de moedinhas para irmos até o armazém da esquina comprar uma lata de leite condensado, ingrediente básico para o brigadeiro de colher. Na Páscoa, o coelhinho trazia uma cesta para cada uma, com tantos ovos de chocolate que pareciam que iriam durar até a Páscoa do próximo ano. Que nada! Mal e mal uma semana! Tudo isso além de que bebíamos, cada uma,  mais de um litro de leite por dia, sempre com Nescau.

Pois o pai, que sempre gostou de um experimento nos levar para passear nos fins de semana e preocupado com tanto chocolate no nosso sistema, resolveu unir o último ao agradável e nos levar para passear em Gramado. Quem é do sul sabe que Gramado é a terra do chocolate na região. É uma cidadezinha charmosíssima nos nossos "alpes gaúchos" onde acontece o Festival de Cinema, onde pode-se encontrar maravilhosos "cafés coloniais" que nada mais são do que uma orgia calórica absurda de carboidratos do tipo açúcar simples  e, é claro, os chocolates artesanais. Montanhas de chocolate. Tudo o que é tipo de chocolate. Por tudo que é canto da cidade. O paraíso dos chocólatras.

Já tínhamos ido à Gramado várias vezes mas desta vez o passeio veio com uma baita surpresa: podíamos comer o quanto de chocolate quiséssemos. Isso mesmo, foi uma espécie de desafio, um "duvido que consigam comer tanto chocolate!" Na verdade, o que o pai tinha em mente era que acabássemos enjoando de chocolate e, pronto, estaríamos salvas.

Foi um passeio genial. As bobinhas passaram o dia todinho se empanturrando com chocolate. Quanto ao resultado do experimento, um desastre. Acho que não existe chocolate demais no nosso caso. E naquele dia, com tanto chocolate sem restrição, nunca teve um pai assim tão legal!

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Uma das minhas memórias mais antigas é estar na sala do apartamento onde morávamos com uma revista para crianças recheada de dinossauros de cartolina para destacar e montar. Eu devia ter uns 3 ou 4 anos, tinha sido um presente do meu pai e ele me explicava que os dinossauros habitaram a Terra há milhões de anos atrás e etc. Eu estava encantada pelos dinossauros e lembro de escutar fascinada sobre o que ele me contava. Mais tarde aprendi porque chove, como se forma um arco íris, aprendi sobre as estrelas, os planetas, os buracos negros, a teoria da relatividade, como o mundo é infinitamente interessante.

Hoje procuro passar essas experiências para o meu filho. Não sou assim tão boa como o meu pai mas meu filho já captou a mensagem mais importante nessa interação: quem ensinou todas essas coisas maravilhosas foi o vovô. Quando eu me perco ele diz "o vovô sabe, pergunta para ele."  

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De vez em quando o pai trazia para casa uma pilha de comprovantes de pacientes que ele havia atendido naquele dia. Como ele tinha muito para fazer, ele pedia para que eu e a minha irmã o ajudássemos colocando os comprovantes em ordem alfabética. Nós levávamos horas realizando a tarefa e ele agradecia e elogiava o nosso trabalho. Eu me sentia super orgulhosa e competente, eu adorava ajudar em algo importante, de gente grande.

Só depois de adulta fui me dar conta que ele podia colocar aquilo em ordem alfabética em 2 minutos e que na verdade quem estava nos ajudando era ele.

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Tivemos muita sorte em morar numa rua tranquila, cheia de crianças da nossa idade. Crescemos brincando na rua, explorando terreno baldio, pulando muro. Nessas de fazer passeios nos fins-de semana, quantas vezes o pai não encheu o carro com as nossas amiguinhas e nos levou ao zoológico, ao circo, ao parque de diversões?

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Eu já tinha terminado o segundo grau, provavelmente estava fazendo cursinho para o vestibular. Não lembro como aconteceu, mas lembro direitinho de estar num jaleco branco, numa salinha do ambulatório da Santa Casa no meio de vários alunos de medicina, assistindo à uma aula do meu pai. Naquele dia eu descobri o talentoso professor de medicina que ele é. Senti um orgulho imenso e passei a entender a admiração e devoção de ex-residentes.

E a minha só aumentou.

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Teria um milhão de historinhas para contar mas só estaria enrolando para chegar ao ponto principal: hoje é o aniversário do meu pai. E tem todo um Oceano Atlântico que me impede de abraça-lo e festejar esse dia ao lado dele. Sou abençoada com um pai de verdade, ali, presente. Eu sei que posso contar com ele.

Meu pai é a lá moda antiga: é um exemplo de ser humano a ser seguido, de homem correto e com princípios éticos e morais firmemente estabelecidos. Não que seja rígido, pois possui muito bom senso. É um homem admirável.

Eu sou suspeita para falar porque sou filha dele, eu sei. Mas é exatamente porque sou filha que sei muito bem do que estou falando, afinal, como todos os filhos, já tive várias discussões com meu pai, nem sempre concordei com ele e é assim com todos nós. Também sei muito bem que todos nós temos nossas falhas e pontos fracos e ninguém é excessão.

Só que tem uma coisa que meu pai faz melhor do que ninguém: ele assume seus papéis (profissional, social, familiar, etc) com responsabilidade; ele dá o melhor de si,  faz o melhor que pode e suas decisões são tomadas com responsabilidade e com a melhor das intenções.  E também já "peguei" ele várias vezes "pedindo" auxílio para que os comprovantes sejam colocados em ordem alfabética para gente que nem desconfia. Se mais pessoas fossem assim, o mundo seria um lugar muito melhor.

Eu queria muito estar lá com ele hoje. Queria muito saber expressar todo o carinho que tenho por ele, saber agradecer por tudo sempre, saber retribuir. Mas sou desajeitada com demonstrações de afeto, atrapalhada, boba.

Já que só resta o telefone, já que não posso estar lá para abraça-lo hoje e já que me deu uma vontade enorme de dizer "pai, eu te amo", deixo aqui o meu ensaio atrapalhado mas de coração.



Com todo o meu carinho,

Ale