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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Gente gulosa

Tenho que contar essa...

Mas antes preciso pintar o background.

Eu sou daquelas que adora um doce. Acho uma tortura não poder comer brigadeiro ou nutella de colher, chocolate, leite condensado, cupcakes, bolos, bolachinhas, croissants e etc e etc todos os dias. Não sou obesa porque tenho um pouquinho de auto controle. Tenho os meus momentos de "carbocídio" mas também momentos de "jejumcídio" para compensar. Me oferece uma refeição nota 10 do tipo filé mignon com um acompanhamento perfeito ou a torta de sorvete da Padre Chagas e eu vou escolher a Torta de Sorvete sempre se eu pudesse. Sou ruim assim.




Tenho dias muito bons em que minha dieta é perfeita, mas tenho dias em que é um caos, só porcaria. Sou das que não sobe na balança para não "deprimir", sabe? Tenho sempre uns quilinhos que podia me livrar. E quando estou no meu peso ideal, dura pouquinho. Meu peso ideal flutua para cima e para baixo como humor de doidinha bipolar.

Bom, outra coisa que é bom eu contar. Faz mais de um ano que eu não cozinho, não lavo louça, não passo roupa e nem supervisiono os temas de casa do meu filho. Meu marido tem mais tempo livre do que eu e aos poucos assumiu essas responsabilidades. Além do que ele é um chef, cozinheiro de mão cheia, tudo o que eu sei cozinhar aprendi com ele ( e aperfeiçoei com a minha mãe). Nada mais natural. Sim, eu tenho um "houseband"!

Background terminado, vamos ao que eu queria contar.

Meu marido teve que se ausentar por três semanas, teve que ir para Florença dar uma assistência aos pais dele. De repente, me vi tendo que cozinhar, passar roupa, levar meu filho para o futebol, supervisionar os deveres de casa dele e tal. Descobri (ou redescobri) que esses afazeres tomam tanto tempo que eu mal consigo fazer outras coisas, tipo ir para as minhas aulas de ioga que eu amo tanto ou dar minhas corridinhas.

Também redescobri que isso tem um lado bom pois apesar de ter muito menos tempo para mim, confesso que estou adorando esse tempo que eu passo com o meu filho; conversamos bastante, me sinto mais envolvida, além do que esse guri me diverte, ele diz cada uma!

No nosso primeiro fim de semana juntos, passei no supermercado depois do treino de futebol e além de comprar ingredientes para a janta, comprei a guloseima preferida do guri, doughnuts. Em casa, nos atracamos nos doughnuts, um cada. À noite preparei o jantar que comemos assistindo um filme bacana. No que terminamos nossos pratos, eu gulosa, sugeri que dividíssimos um doughnut. Filho topou todo sorridente.



Enquanto o meu filho sabe comer direito, mastiga bastante, come com muita calma, eu devoro a minha comida feito um crocodilo (eu sei, eu sei! Eu realmente deveria segui o exemplo dele). Pois ele ainda estava na primeira dentada quando eu já tinha devorado a minha metade. Olho para ele e sugiro:

- Filho, vamos dividir outro doughnut?

O guri me olha sério e calmamente responde:

- Não. Mãe, ainda bem que tu não é viúva porque senão eu seria obeso, hein!

(Ah! Para quem não sabe, meu filho come feito um leão e é magrelo feito um inseto).

Pelo menos alguém nessa família tem bom senso.


quinta-feira, 11 de julho de 2013

O que a gente faz por amor ao integrante peludo da família.

Ontem a minha Daisy visitou o veterinário. Ela estava urgentemente precisando de um check-up. Saiu de lá de vacina tomada, remédio para vermes, um potinho para coleta de urina (talvez ela esteja com uma infecção) e um sermão na importância de uma higiene bucal para a saúde da cachorra. 


Até então a Daisy não tinha higiene oral nenhuma. Nunca escovei dentes de cachorro e sempre me pareceu uma coisa esquisita, desnatural. Depois do sermão, dei uma pesquisada no Google e cheguei a conclusão de que vou ter que ceder e começar a escovar os dentes da minha Daisy. Descobri que cachorro também está sujeito a formação de tártaro dental podendo inclusive desenvolver infecções, sofrer com dor e perder os dentes. 

Assisti à alguns vídeos mostrando como escovar os dentes de cachorro e descobri que não é assim tão difícil. É importante usar uma pasta dental especial para cachorros pois como eles não sabem fazer bochecho com água, acabam ingerindo a pasta e por isso tem que ser uma pasta de dente digestiva. 
Comprei essa para a Daisy. Tem gosto de fígado, então ela gosta.
Outra coisa que me estimulou a aderir a essa higiene oral canina é que não precisa ser todos os dias, duas ou três vezes por semana está ótimo. Quer dizer, alguns defendem a escovação diária mas não vou exagerar, já estou bem satisfeita comigo por ter sido convencida a fazê-lo. 

Também é bom dar esses ossos ou petiscos especiais para eles roerem porque ajuda a remover a placa bacteriana e controlar o tártaro. 
Que nojo.
Hoje de manhã foi uma palhaçada. Abri a porta dos fundos para a Daisy como faço todos os dias de manhã. Só que dessa vez tive que seguí-la feito uma sombra para coletar o xixi. A pobre cachorra não estava entendendo nada e me olhava confusa. Só que a bexiga apertada falou mais alto e quando eu menos esperava ela acocorou e eu tive que ser muito rápida ao enfiar o potinho no meio das pernas dela. Aquilo não foi um xixizinho, aquilo foi a liberação das comportas de Itaipu! Como é que um cachorro tão pequeno consegue fazer tanto xixi? 

Bom, missão cumprida e agora é só esperar pelo resultado do laboratório que não há de ser nada que não possa ser consertado. Se é que tem algum problema.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nada como um dia depois do outro

A semana passada foi estranha, chatinha. Tudo dentro da minha cabeça, claro. A semana em si tinha começado bem. Na segunda-feira tive o segundo encontro do curso de respiração consciente que estou fazendo e que foi bem interessante (explico ouro dia). Mas os outros dias foram  um tanto  esmorecidos,  vontade de dormir e dormir. Fiz um monte de “dormir” acompahado de vários cálices de vinho.


 Eu acho que é hormonal porque não encontro outra explicação. E como sempre, passou. No sábado eu até dei uma corridinha, coisa que não fazia há quase 10 dias.



Correr, está aí uma coisa que eu adoro fazer. Mas pensa que é fácil? Eu me encho de desculpas e vou deixando para depois. Quando não encontro mais deculpas, finalmente vou para a rua. E toda a vez me pergunto porque fui postergando tanto quando  me sinto tão bem por estar correndo.  Me dá energia e a cabeça dá uma arejada tremenda.



Para compensar, essa semana vai indo muito bem. Na segunda-feira, depois do trabalho, fui para a minha prática de ioga. Foi uma sessão intensa, puxada e ótima com a Kristi (Hot Yoga Flow 1 – Vinyasa). Toda suada e semi acabada, estava cogitando ir para o chuveiro quando vi a professora da próxima sessão, a Agneta. Nunca tinha feito aula com ela mas sempre quis experimentar (Hot Yoga Flow 2 – Vinyasa). Resolvi permanecer na sala. Foi uma prática excelente, super puxada e reforçou a minha constatação de que o meu centro de força (músculos que rodeiam e suportam o tronco, abdômen) e meus braços são bem fraquinhos. Mas tão lindo ver as poses da Agneta, os movimentos são tão elegantes e fluidos! Quando eu crescer quero ser assim.



Mais tarde, de banho tomado e de pijama, super confortável e na minha caminha lendo “A Clash of Kings” do George RR Martin, quem resolve se esparramar comigo? O Rafa, seguido pela Daisy. Os dois caíram no sono antes de eu conseguir expulsá-los e acordei várias vezes durante a noite, semi afogada debaixo de filho e cachorro.


Mas acordei feliz e tive um bom dia. 

Quando cheguei em casa depois do trabalho, preparei  massas de brigadeiro e branquinho (amanhã é meu aniversário!), me troquei e fui para mais uma sessão de ioga. Dessa vez com a Janine que tem um estilo mais exigente. Terminei a aula pingando de suor.

Acordei hoje com os ombros e braços doloridos mas me sentindo super bem. Hei de chegar lá um dia!









quinta-feira, 5 de agosto de 2010

10 anos

Hoje foi aniversário do Rafa.

Eu tenho um filho de 10 anos.

Socorro.

E obrigada meu Deus, por me abençoar com esse filho lindo, querido, amadíssimo. Ele só me traz alegrias.

O aniversário envolveu futebol, é claro. Ou melhor, foi sobre futebol. O Rafa escolheu uma festinha no Goals Center e acontece da seguinte maneira: os convidados chegam as 4 da tarde para uma hora de partida de futebol com um treinador. Depois da partida há uma pausa para o lanche e cantar parabéns. Por fim, mais futebol até os pais virem buscar as crianças as 6 horas (como adoro esse negócio de horário limite que é a coisa mais normal e natural do mundo nas festas de criança aqui).




Quem tirou as fotos e filmou a partida de futebol foi o pai da criança que, achando que a festa fosse a fantasia, foi de Brutus Lenhador.




Depois da partida, os parabéns.




A orgulhosa mãe da criança com a amiga Rachel.




Foi um dia bel legal.

Ah!!! Notaram o kit do aniversariante?

Como é bom ser COLORADO!!!!














Happy Birthday Rafa!!!







domingo, 6 de junho de 2010

Hot in the city


O sol apareceu todos os dias essa semana. Estava quente, gostoso, parecia verão de verdade. Luz muita luz! As pessoas nas ruas em roupas leves e sorrisos. Os jardins dos pubs lotadinhos. Foi especial mesmo.

Mas a maior sorte foi que essa semana, além de linda, foi de férias, foi half-term! Half-term é o seguinte: as escolas dividem o ano letivo em três períodos ou terms (outono, inverno e primavera). Cada período ou term é dividido em duas partes e bem no meio vai uma semana de férias, ou seja, são sete semanas com aulas e pausa de uma semana para respirar, mais sete semanas e assim por diante. E entre um term e outro tem as férias do Natal e da Páscoa (mais ou menos duas semanas cada uma). As férias de verão didvidem um ano letivo do outro e duram seis semanas.

Pois então, o fato é que essa última semana não teve escola e o responsável pelo tempo foi bacanérrimo e mandou um dia de sol atrás do outro!

Durante esses dias:

Eu e Rafa percorremos Beckenham de bike.

Levei a Daisy para passear.


Fui obrigada a "perder" umas quatro horas de um sábado lindo dentro de um salão arrumando o cabelo que estava um horror. Não é exagero, a verdade é que eu tenho cabelos brancos, muitos, demais.



Não, o resultado foi medíocre com sempre.As mechas feitas como a cara. Aliás, pintaram até a minha testa, saí toda manchada. O que tem de errado com essa gente? Até hoje não encontrei alguém que pinte o meu cabelo direito aqui nesta terra. É a mesma história, como as das unhas...  mas hoje não estou com vontade de discorrer sobre o asssunto.

Mais um salão riscado.

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Domingo foi o dia da nossa corrida de rua. As 8:30 da manhã eu estava no clube ajudando a organizar. A largada foi as 10:30. Do nosso clube tivemos um time de homens e um time de mulheres. O restante trabalhou como fiscal de corrida, etc.


Nessa mesa ai em cima é onde os corredores que deixam para registrar-se no dia foram preencher ficha e pegar um número. Foi ali que eu ajudei antes da largada...




Durante a corrida eu ajudei num dos postos de água.


Foi legal ver todos aqueles corredores passando em diferentes velocidades.



Esse ai em cima foi o que ganhou a corrida. Ele é corredor do nosso clube que, apesar de ser um clube pequeno, anda cheio de talentos.

A campeã feminina é esta abaixo. Ela corre pra caramba, corria conosco mas porque precisava de um treinador agora corre para outro clube, o Dulwich. Nosso clube é o second claim dela, mas ela só pode correr conosco quando o Dulwich não estiver participando. O que não foi o caso.



Eu sempre que vejo fotos de corredores, principalmente de corredores que conheço pessoalmente, fico pasma em como ficamos feios, ogros mesmo enquanto correndo. É muito difícil sair bem na foto num momento desses. Eu tenho bytes e bytes de fotos minhas que são uma coisa de louco! Um dia publico uma postagem com as mais "lindas". É de chorar. Ou morrer de rir. Eu tenho uma, inclusive, que ganha de todas disparado! Hmmmmm... ótima idéia para uma futura postagem...


Estava uma manhã nublada mas super quente. Um corredor passou mal e teve que ser levado para o pronto socorro. Dois membros do comitê foram visitá-lo, averiguar se estava melhor e o encontraram sorridente e recuperado. Ufa!



Ainda bem que sempre temos uma ambulância e paramédicos no local durante as corridas.

Depois da corrida, teve chá, café, suco e guloseimas.

Alguns preferiram uma pint algo gelado e sentar na rua assistindo cricket enquanto aguardavam os resultados e a premiação.




Claro que tem sempre estraga prazeres que não ficam até o final. Mas muitos são legais e curiosos o suficiente para assistir a entrega dos prêmios.





Fomos elogiados pelo belo evento.

Foi bem legal!




domingo, 23 de maio de 2010

Run baby, run

Foi uma semana bem cheia. Várias vezes me ocorreu que um dia tem muito poucas horas ou que dormir é um desperdício. Só que dormir é bom, eu gosto. Muitas coisas triviais para fazer e pouco tempo para conseguir realizar tudo.

Quinta feira fui correr pela primeira vez desde que a dor insuportável na perna esquerda e no lado esquerdo do quadril me atacou devido a uma bursite há 2 meses. Há umas 3 semanas tentei uma corridinha de 1 minuto que foi o suficiente para sentir que ainda não estava 100% recuperada. Mas como fazia tempo que não sentia mais nada, resolvi tentar. Até porque é uma agonia não poder correr. Decidi que uma corridinha curta e num ritmo "trote" seria o ideal para avaliar e recomeçar se tudo bem.

Controlando o meu Garmin, trotei numa velocidade média de 7:08 min/km durante 7 km! Foi difícil manter um ritmo assim tão lento mas o meu novo programa de treinamento está cheio desse trotezinho.

O melhor de tudo é que não senti nada da dor, nem no dia seguinte. Hooray!

Na sexta, eu e o Rafa fomos para o tênis de bicicleta.



E sabe quem encontramos no estacionamento? O Herbie!

Quem é que dirige um Herbie em Londres? Bom, claro, Londres...

Durante o fim de semana não fizemos muito. Quer dizer, nada muito fora da mesmice pois é no finde que eu aproveito para arrumar a casa, ler, fazer uns issos e aquilos.

Rafa e Eddie, seu fiel escudeiro, comeram pipoca enquanto assistiam Piratas do Caribe número 275 pela milionésima vez.



No domingo, fizemos biscoitos juntos. Biscoitinhos deliciosos!





Enquanto isso, o marido passou o dia em cima da Harley com um grupo da mesma espécie. Foram até Hastings, no litoral aqui em Kent, onde eu corri uma meia maratona em fevereiro.



Até o Stig ele encontrou no caminho!



Stig é esse cara de capacete que testa carros numa pista de corrida no show automobilístico de enorme sucesso aqui, o "Top Gear". Na verdade, muito bom esse programa e depois de anos escondendo a identidade do Stig, viemos a saber no próprio show e pela boca do mesmo quem é o Stig - até então o melhor bem guardado segredo da BBC - o Stig é o Schumacher!
Na verdade, não. Era só uma pegadinha. Ninguém sabe quem é o Stig.

Ah! Eu corri também no sábado.Corri 8 km no mesmo trotezinho. Tô feliz da vida!

Baby, I´m back!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O meu pai é o melhor

Como todas as crianças, eu e minha irmã éramos loucas por chocolate. Barras de chocolate ao leite, iogurte de chocolate, bolo de chocolate, brigadeiro, sorvete de chocolate, qualquer coisa de chocolate. Lembro de inúmeras tardes vasculharmos os bolsos dos casacos dos nossos pais atrás de moedinhas para irmos até o armazém da esquina comprar uma lata de leite condensado, ingrediente básico para o brigadeiro de colher. Na Páscoa, o coelhinho trazia uma cesta para cada uma, com tantos ovos de chocolate que pareciam que iriam durar até a Páscoa do próximo ano. Que nada! Mal e mal uma semana! Tudo isso além de que bebíamos, cada uma,  mais de um litro de leite por dia, sempre com Nescau.

Pois o pai, que sempre gostou de um experimento nos levar para passear nos fins de semana e preocupado com tanto chocolate no nosso sistema, resolveu unir o último ao agradável e nos levar para passear em Gramado. Quem é do sul sabe que Gramado é a terra do chocolate na região. É uma cidadezinha charmosíssima nos nossos "alpes gaúchos" onde acontece o Festival de Cinema, onde pode-se encontrar maravilhosos "cafés coloniais" que nada mais são do que uma orgia calórica absurda de carboidratos do tipo açúcar simples  e, é claro, os chocolates artesanais. Montanhas de chocolate. Tudo o que é tipo de chocolate. Por tudo que é canto da cidade. O paraíso dos chocólatras.

Já tínhamos ido à Gramado várias vezes mas desta vez o passeio veio com uma baita surpresa: podíamos comer o quanto de chocolate quiséssemos. Isso mesmo, foi uma espécie de desafio, um "duvido que consigam comer tanto chocolate!" Na verdade, o que o pai tinha em mente era que acabássemos enjoando de chocolate e, pronto, estaríamos salvas.

Foi um passeio genial. As bobinhas passaram o dia todinho se empanturrando com chocolate. Quanto ao resultado do experimento, um desastre. Acho que não existe chocolate demais no nosso caso. E naquele dia, com tanto chocolate sem restrição, nunca teve um pai assim tão legal!

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Uma das minhas memórias mais antigas é estar na sala do apartamento onde morávamos com uma revista para crianças recheada de dinossauros de cartolina para destacar e montar. Eu devia ter uns 3 ou 4 anos, tinha sido um presente do meu pai e ele me explicava que os dinossauros habitaram a Terra há milhões de anos atrás e etc. Eu estava encantada pelos dinossauros e lembro de escutar fascinada sobre o que ele me contava. Mais tarde aprendi porque chove, como se forma um arco íris, aprendi sobre as estrelas, os planetas, os buracos negros, a teoria da relatividade, como o mundo é infinitamente interessante.

Hoje procuro passar essas experiências para o meu filho. Não sou assim tão boa como o meu pai mas meu filho já captou a mensagem mais importante nessa interação: quem ensinou todas essas coisas maravilhosas foi o vovô. Quando eu me perco ele diz "o vovô sabe, pergunta para ele."  

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De vez em quando o pai trazia para casa uma pilha de comprovantes de pacientes que ele havia atendido naquele dia. Como ele tinha muito para fazer, ele pedia para que eu e a minha irmã o ajudássemos colocando os comprovantes em ordem alfabética. Nós levávamos horas realizando a tarefa e ele agradecia e elogiava o nosso trabalho. Eu me sentia super orgulhosa e competente, eu adorava ajudar em algo importante, de gente grande.

Só depois de adulta fui me dar conta que ele podia colocar aquilo em ordem alfabética em 2 minutos e que na verdade quem estava nos ajudando era ele.

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Tivemos muita sorte em morar numa rua tranquila, cheia de crianças da nossa idade. Crescemos brincando na rua, explorando terreno baldio, pulando muro. Nessas de fazer passeios nos fins-de semana, quantas vezes o pai não encheu o carro com as nossas amiguinhas e nos levou ao zoológico, ao circo, ao parque de diversões?

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Eu já tinha terminado o segundo grau, provavelmente estava fazendo cursinho para o vestibular. Não lembro como aconteceu, mas lembro direitinho de estar num jaleco branco, numa salinha do ambulatório da Santa Casa no meio de vários alunos de medicina, assistindo à uma aula do meu pai. Naquele dia eu descobri o talentoso professor de medicina que ele é. Senti um orgulho imenso e passei a entender a admiração e devoção de ex-residentes.

E a minha só aumentou.

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Teria um milhão de historinhas para contar mas só estaria enrolando para chegar ao ponto principal: hoje é o aniversário do meu pai. E tem todo um Oceano Atlântico que me impede de abraça-lo e festejar esse dia ao lado dele. Sou abençoada com um pai de verdade, ali, presente. Eu sei que posso contar com ele.

Meu pai é a lá moda antiga: é um exemplo de ser humano a ser seguido, de homem correto e com princípios éticos e morais firmemente estabelecidos. Não que seja rígido, pois possui muito bom senso. É um homem admirável.

Eu sou suspeita para falar porque sou filha dele, eu sei. Mas é exatamente porque sou filha que sei muito bem do que estou falando, afinal, como todos os filhos, já tive várias discussões com meu pai, nem sempre concordei com ele e é assim com todos nós. Também sei muito bem que todos nós temos nossas falhas e pontos fracos e ninguém é excessão.

Só que tem uma coisa que meu pai faz melhor do que ninguém: ele assume seus papéis (profissional, social, familiar, etc) com responsabilidade; ele dá o melhor de si,  faz o melhor que pode e suas decisões são tomadas com responsabilidade e com a melhor das intenções.  E também já "peguei" ele várias vezes "pedindo" auxílio para que os comprovantes sejam colocados em ordem alfabética para gente que nem desconfia. Se mais pessoas fossem assim, o mundo seria um lugar muito melhor.

Eu queria muito estar lá com ele hoje. Queria muito saber expressar todo o carinho que tenho por ele, saber agradecer por tudo sempre, saber retribuir. Mas sou desajeitada com demonstrações de afeto, atrapalhada, boba.

Já que só resta o telefone, já que não posso estar lá para abraça-lo hoje e já que me deu uma vontade enorme de dizer "pai, eu te amo", deixo aqui o meu ensaio atrapalhado mas de coração.



Com todo o meu carinho,

Ale



terça-feira, 11 de agosto de 2009

Olha só a felicidade do Super Rafael no seu novo trampolim!


segunda-feira, 9 de março de 2009

Programa de índio

No sábado eu quis passar a tarde no shopping, queria aproveitar que era sábado e comprar umas lembrancinhas para levar para o Brasil. Só que o marido resolveu que queria ir junto... eu achei a idéia péssima, mas ele tanto que insistiu e prometeu que não iria abrir a boca para reclamar ou me apressar que eu acabei me iludindo com a crença de que levar homem em shopping para fazer compras pudesse ser possível. Então, depois do campeonato de tênis do super Rafa (jogou contra 3 adversários, ganhou de dois) fomos para o inferninho. Sim, porque eu não gosto tanto assim de shopping não. Fazer compras cansa. Principalmente quando não sei bem o que preciso ou devo comprar e, pior ainda, num sábado que é quando todo mundo resolve ir fazer a mesma coisa: perder tempo de loja em loja. Gente para tudo que é lado, filas no caixa, uma esculhambação, tudo um saco. Mil vezes sentar num pub...

Preciso dizer que o Rafa ODIOU o programa? Entre "Babbo, a mama não pode ver loja de sapatos que ela fica hipnotizada! Ajuda a fechar os olhos dela" e "Não mama, por favor! Não entra na loja porque tu nunca mais sai de lá de dentro!!!", consegui experimentar um par de sapatos, comprar um par de brincos e umas camisetas encomendadas.

O Max, como havia prometido, não abriu a boca para reclamar de nada, mas mesmo assim me deixou estressada. Em cada loja que eu entrava ele perguntava "O que procuras aqui?" E eu sei lá? Eu estava só olhando, vendo se havia algo de interessante... Entre uma loja e outra, mais uma pergunta sem sentido "Em que loja estamos indo? O que falta comprar?" Aaaaarrrgh!!!Estávamos no final da primeira volta pelo shopping e ele larga "Estamos quase terminando..." Como assim??? Aquela era só a primeira rodada e eu nem havia percorrido as lojas do lado de fora ainda!

Acabei desistindo, não estava dando muito certo. Sugeri que eles fossem para casa e me deixassem por lá mas ultimamente andam num grude, pior que chiclete. Mal consigo ir no banheiro sozinha! Resultado, não encontrei tudo o que eu queria e acabamos voltando para casa horas antes do previsto...
previsto por mim, é claro!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Em campo

Faz tempo que não apareço. Alguém sentiu saudades de mim? Ãh? Alguenzinho, qualquer unzinho?


Vou começar me exibindo um pouco. Na terça-feira passada fomos no estádio do Arsenal (o Emirates, lindo) assistir um amistoso entre o Brasil e a Itália. Muito bom!!! Nos divertimos pra caramba!


Depois da escola passamos em casa para nos fardarmos. Pobre Rafinha, aqui vai o diálogo que se passou:


-Será que o babbo fica chateado se eu for com a camiseta do Brasil?

-Claro que não, Rafa! E se quiseres ir com a camiseta da Itália eu também não fico chateada. Pode fazer como tu quiseres sem preocupações, tá bom?


Ele pensou um pouquinho e disse "-Então eu vou vestido com a camiseta da Brasil mas levo a da Itália também. Just in case."


Nos encontramos com o Max em Piccadilly e fomos direto para o estádio. Como era esperado, um monte de brasileiros, italianos e simpatizantes. O Max nos presenteou com ingressos especiais, com direito a jantar no restaurante (sim, jantar mesmo, com entrada, prato principal, sobremesa e vinho). Nos colocaram uma pulseirinha para termos acesso a nossa mesa durante toda a noite.


O jogo foi muito legal, o Rafa com aquele sorrisão no rosto, as torcidas super animadas e o time do Brasil jogando muito bonito. Aliás, foi aí que eu entendi porque dizem que o Brasil "joga bonito". Eles fazem misérias com a bola, cada driblada! O Rafa todo orgulhoso com a camiseta do Brasil, se recusou a vestir o casaco alegando não sentir frio apesar da temperatura quase lá no 0 graus. E agitando a camiseta da Itália como se fosse uma bandeira.


Aqui o pessoal senta bonitinho na sua cadeira, a torcida misturada, não pode xingar a mãe do juiz nem usar vocabulário obsceno ou ofensivo, não pode beber álcool (a não ser que o sujeito tenha uma pulseirinha que dá acesso ao restaurante...) nem carregar latinhas ou garrafas para a área da torcida. Mas como era Brasil X Itália, claro que estava bem mais animado do que o normal e até olas tivemos. Porcaria foi que não pude levar a minha câmera com meu super zoom, levei a pequena digital e claro que as pilhas pifaram e é óbvio que eu esqueci de levar pilhas reservas. As únicas fotos que eu tenho são super ruins.




Uma coisa bem interessante que eu notei foi a quantidade de torcedores usando uma manta que era metade as cores do Brasil e a outra metade as cores da Itália. Na saída procuramos uma nos camelôs ao redor do estádio mas não encontramos. O Rafa teria adorado uma dessas.

Não, o Max não ficou triste com o resultado do jogo. Gostou do espetáculo e passou dizendo que a Itália não dá bola para amistosos e infelizmente não se deu ao trabalho de jogar direito. Ã hã, claro.

"-Viu só Rafa, no fim tu sempre ganhas no futebol, não importa o resultado!" diz a mãe da criança.

"-Não", replica o pai da criança. "-Na verdade o Rafa sempre ganha e perde quando o Brasil e a Itália jogam."

Eu preciso encontrar essa manta...


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Outra novidade é que houve a reunião da Associação de Pais e Mestres da escola do Rafa e eu não só compareci como também fui eleita para ser uma das 15 pessoas integrantes do conselho. A APM é responsável por organizar eventos para arrecadar fundos para melhorar a escola e oferecer aos alunos passeios e outras atividades. Ou seja, consegui pedir sarna para me coçar. Foi um envolvimento político da minha parte, uma longa história sobre pessoas que estavam lá desde a época medieval e não deixavam ninguém entrar no "clubinho". Sempre querendo ser justa (não posso com injustiça, é meu tendão de Aquiles), caí nessa de fazer parte da revolução (tanto por uma vida tranquila!). Ano passado consegui o envolvimento de vários pais que acabaram sendo eleitos para o conselho, mas esse ano não deu para escapar e fui intimada a fazer parte...