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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Onde mora o coração

De onde eu sou?

Eu sou brasileira, gaúcha nascida e "crescida" em Porto Alegre. Igualzinho a letra da música, eu nasci chorando no Moinhos de Vento mas não, nunca andei de bonde ou vi um na minha cidade. Sei que estiveram ali um dia porque em várias ruas de Porto Alegre eu podia ver os trilhos obsoletos como prova. Nunca pulei fogueira mas várias vezes me vesti de prenda, bebi quentão e comi pinhão. 

Ando saudosista e louca de faceira que vou passar umas feriazinhas na minha terrinha. Não vejo a hora de chegar, ver minha família e amigos, comer churrasco e ficar verde de tanto chimarrão. Ah! E considerando que é verão, lembrei daqueles abacaxis docinhos que são vendidos na beira da estrada. Vou comer todos os abacaxis que eu puder. Yum.

Ás vezes é confuso saber onde fica a minha casa. Toda a vez que eu vou para o Brasil de férias (é sempre de férias), digo e sinto "estou indo para casa". Mas aqui também é a minha casa e eu amo isso aqui. Aqui também eu tenho as minhas coisas preferidas, família e amigos queridos. 

E sim, eu amo a minha Londres. Uma das coisas que eu mais gosto de fazer é literalmente andarilhar pelo centro tirando fotografias, sentar de pub em pub ou café em café (depende do mood) e assistir ao espetáculo que se desenrola. Êta cidade bonita!

Mas voltando à confusão, ao mesmo tempo que chamo tanto Porto Alegre quanto Londres de "casa", não me sinto assim tão em casa em nenhuma. Uma sensação permanente de incompletude. Mas acho que é culpa do coração que está sempre divido entre as duas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Coincidência

Achei que com internet no café eu teria mais chances de andar pendurada no mundo virtual mas quê! O movimento aumentou e não sobra tempo para mais nada. Eu sei que parece exagero, mas vai ser a cozinheira, a garçonete, a moça do caixa, a gerente, a RP, a administradora, a contadora, a faxineira, a pensadora, a updater do twitter, a criação e arte do que precisar (incluindo menus, plaquinhas, murais, posters, cartão de visita, etc) e nem sei mais o quê. Tudo na mesma pessoa. PQP!

Bom, vamos ao causo. Hoje entrou um casal novo. Ele, um senhor com pose e um quê de nervosinho contido, com a pele bronzeada (eu louca para perguntar onde ele tinha andado e se de férias) e os cabelos grisalhos. Ela, uma senhora bem vestida, com um sorriso largo e falando baixinho. Bem magrinha e com cara de indiana, muito simpática. Eles pediram dois cafés latte, merengue de forno para ele (as coisas que eu invento de pura bobeira e só para não jogar fora as sobras e a clientela me surpreende comprando entusiasmada) e crepe no palito com recheio de queijo para ela. (Explico o crepe no palito numa outra ocasião).

Quando retorno com os pedidos, a senhora me pergunta de onde sou. "Ah!Então ele acertou! Ele viu aquele livro ali na estante e comentou que provavelmente você fosse brasileira." Disse ela referindo-se ao senhor que a acompanhava.

Eu tenho um único livro em português de capa dura, grandão, bem bonita a capa e cheio de fotos muito boas. Chama-se "Brasil Bom de Bola" e em função desse único livro em meio aos outros 200, a maioria dos clientes acerta de cara. Apesar de que esses dias entrou um sujeito me perguntando se eu era turca... e eu nem tinha cobrado o café dele ainda!

Enfim, em seguida, a senhora emendou que a nora era brasileira e ela e o filho moravam no Brasil, numa cidade chamada Porto Alegre. Fiquei tão surpresa e emocionada com a coincidência que emburreci. Queria perguntar mill coisas mas a única coisa que saiu foi "Eu também sou de lá" e "Há quanto tempo o  seu filho mora lá?" Tentei colocar meus neurônios em ordem para poder perguntar coisas mais interessantes e produtivas mas o senhor já estava de pé e parecia louco para se arrancar e eu não quis ficar segurando com conversa. 

Ela disse que voltaria, fez mil elogios ao café. Espero que da próxima vez eu consiga conversar com ela direito.  Não é todo dia que encontro alguém por essas bandas que tem um filho que casou com uma brasileira e foi morar em Porto Alegre. Se fosse em Londres mesmo, lá no centro, não teria ficado tão surpresa. Mas aqui para fora, quase Kent... eu nunca vejo nem brasileiro por aqui! Eu sei que tem porque costumava ter tempo para frequentar restaurantes e tem uns vários onde os garçons são brasileiros. Mas realmente não é como no centro que tem brasileiros por tudo. E ir morar em Porto Alegre! Bem, é que Porto Alegre pode até ser a melhor cidade do mundo, o centro do universo para os orgulhosos porto alegrenses, mas muito pouca gente de fora já se quer ouviu falar na verdade (sim, sim, ignorantes, eu sei!!!) Ai ai...

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Apesar do trequinho aí na direita dizer que estou lendo outra coisa, na verdade estou lendo "Shantaram" do Gregory David Roberts, um australiano. Estou adorando. A história se passa na Índia, para onde o personagem principal (o próprio autor)  foge depois de escapar de uma prisão de segurança máxima na Austrália. Eu estive na Índia por 3 meses e meio e, além do autor ser um escritor excelente, estou adorando revisitar lugares, jeitos e a cultura que vi com meus próprios olhos. O que ele escreve, descreve, interpreta... bah! É uma espécie de testemunha, é como se ele estivesse traduzindo sentimentos, imagens, sons, cheiros, cores, tudo lindamente colocado em palavras.

Tá, tudo bem que eu não morei nas favelas e não me meti com a máfia. Mas fora toda a trama da história, o resto condiz. Ele descreve uma Índia que eu vi. Bem do jeito que eu vi.

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Preciso ir dormir. Boa noite!








domingo, 4 de outubro de 2009

Banzo II: minha amiga Rachel




Eu sinto saudades da Rachel. Hoje estava eu aqui fazendo as unhas sozinha e lembrando daquela vez que resolvemos ir num negócio só de unhas aqui perto de casa. Concordei porque não lembrava o porquê de não ter o costume de ir fazer as unhas em nenhum salão aqui em Londres. Expliquei que o único jeito de uma boa manicure seria encontrar uma brasileira nos anúncios da Leros mas ela queria saber porque "é por que não tiram cutícula?" ou "é por que é caro?". Ah! eu sei lá! No meu cérebro só estava registrado que não valia a pena. Pois bem, fomos num sábado no tal negócio exclusivo e especializado em manicure e pedicure. Negócio da China! Um monte de parafernália, o troço parecia super profissional. Umas chinesas super mal educadas nos atenderam.

Resultado: cutícula elas não tiram, dão uma aparadinha insignificante nos lados, mas aquela camada toda de cutícula que cobria quase metade das minhas unhas, a moça deixou ali na maior cara dura. Na hora de passar o esmalte, bom, uma piada. Meu filho teria feito um serviço muito melhor! Porque elas desconhecem palito tomam o maior cuidado para não encostar na pele do dedo, então fica aquela faixa de esmalte no meio da unha. Ridículo. E cobraram 10 libras (oi! 39 reais!!!) pela palhaçada. Voltamos para casa com as mãos escondidas nos bolsos e fizemos nossa própria manicure ao som dos Mamonas Assassinas (achei o cd numa caixa e deu a maior nostalgia).

Hoje é domingo e eu queria a Rachel aqui para ir para Camden comigo. Ela sabe passear por Camden. Aliás, a guria é a melhor companhia para passear por Londres. Não tem tempo feio, tudo tá bom, tudo vira festa. Parceira de várias indiadas.

Uma das indiadas lendárias foi a vez que fomos convidadas para passar uma tarde caminhando no lodo na beira do rio. Um amigo em comum estava de aniversário e como ele mesmo disse "o aniversário é meu, eu escolho o que vamos fazer", não discutimos. Como envolvia um rio, eu ignorei as palavras lodo e lama porque nem passou pela minha cabeça que alguém fosse querer caminhar com lama e lodo até os joelhos para comemorar o aniversário. Tinha formado uma imagem idílica na minha cabecinha de pandorga que seria um lindo passeio pelas margens de um rio cristalino cercado por verde e ar puro. Ingênua que dói.

Fomos em uma turma de umas 20 pessoas, cada um na sua bicicleta. O rio era o próprio Tâmisa num pedaço horroroso e cheio de concreto. Na entrada combraram 10 libras por pessoa, nos forneceram galochas de borracha até as coxas e uma guia. Nunca tinha visto tanta lama ao vivo na vida. Nem quando dava enchente na Ferrugem. Pior do que eu vi na TV uma vez, onde uns caras se atolavam para pegar caranguejo (acho que se chama mangue - ignorância é phoda!). Mas pior foi o fedor, um cheiro de esgoto de dar vontade de vomitar! E aquele bando de abobados seguindo uma guia que falava sobre a flora (limo e o que mais mesmo???) e a fauna (sanguessugas, enguias e carcaças de siris) do Tâmisa e todas as coisas interressantes que o rio trazia (carrinhos de supermercados, laptops, bicicletas, pneus, tampinhas de garrafas, latas, etc). O cara simplesmente conseguiu encontrar o pior ponto do rio para ir passear.

Esse dia foi nomeado pela Rachel como "O dia em que fomos passear no esgoto". Perfeito.

Outra indiada braba foi eu ter concordado em ajudar numa feirinha beneficiente da igrejinha local. Pleno domingo maravilhoso de sol e de manhã bem cedinho lá vou eu carregando minha fiel companheira de programas toscos para trabalhar numa estante de quinquilharias de segunda mão. De graça.

Mas nem só de roubadas temos boas recordações. Quantas ressacas não curamos juntas??? Eu e a minha amiga Rachel fizemos muitas festas juntas, bebemos várias pints em vários pubs pela cidade, fizemos muitas compras e programas de mulherzinhas juntas, bebemos muito chimarrão e trocamos muitas confidências. Que saudades daquelas finais de tarde em que abríamos uma garrafa de vinho e tagarelávamos sentadas no pátio de casa... e já na terceira garrafa íamos azucrinar os vizinhos para vir beber conosco ou saíamos pelos parques atrás de raposas no meio da noite!

Amiga como a minha Rachel é coisa raríssima. É como uma irmã. Uma guria que vale mais que ouro. Toda linda, ela. Por dentro e por fora. Coração enorme, inteligente, divertida, autêntica... sabe aquelas pessoas que a gente sabe que vão fazer parte da nossa vida para sempre, independente de tempo e distância??? Sabe uma amiga que sabe te maquiar ( e foi embora sem ensinar direito)?

Pois é, amiga. Só o Oceano Atlântico entre nós... Hoje está fazendo um dia joinha aqui em Londres e tu por aqui seria um dia perfeito! Volta para casa, vai...




terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Coisa minha

No domingo Max levou nosso filho craque do futebol para uma partida da liga. Não só retornaram felizes da vida com a vitória como (milagre dos milagres) Max filmou tudinho e quen quiser pode conferir que o Rafa é talentoso. O time todo jogou muito bem mas o Rafinha resolveu mostrar, ou melhor, escancarar que sabe jogar bonito. Algumas das cenas são de babar. Sabe o Ronaldinho no auge da carreira driblando o adversário, roubando bola, fazendo misérias em campo? Pois o guri estava com toda a corda, on fire, baby!!! Quando o vídeo sair no You Tube eu aviso.

Também fomos num churras na casa da Rachel. Um pedação de picanha e uma costela de comer ajoelhado de tão bom. Também teve coraçãozinho, salada de batata (detalhe: maionese feita em casa... te mete!), farofa, caipirinha, pagode, axé, forró e sei mais lá o quê. Tudo de bom mesmo! O Rafa e o Eddie (lembra nosso vizinho, amiguinho do Rafa, a cara do Ferrugem e que se muda pra cá nos fins-de-semana? Então, esse mesmo!) comeram - vegetarianos parem de ler por aqui - picanha sangrando e gritavam felizes "Viu só! Comi carne ensanguentada!Uma delícia!" Sim, aqui em Londres dá para fazer um churrasco de verdade. Quer saber de onde vem a carne? Do Brasil! Tá, a picanha era Argentina...

Ah! Eu contribuí com a sobremesa. Preparei um pudim de leite condensado que todo mundo quis repetir, até o Max que não é lá muito chegado em doce.

Isso tudo me faz lembrar que em seguidinha vou estar aí no Brasil e vou poder aproveitar tudo de bom que a terrinha pode me oferecer e que é tão bom.

Vou poder estar junto da minha família...

Meus amigos...

As imagens , paisagens, pessoas, cheiros e gostos que estão tatuados na minha memória... que fazem parte de quem sou.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Banzo


Tá muito frio, ninguém merece! Eu preciso de sol, de luz, de calor. Sou uma pessoa do verão, me sinto muito melhor e fico bem mais bonitinha durante o verão. O inverno me deprime, me deixa mal humorada e me embagulha. Tô reclamando de barriga cheia (sim, cheia, como sempre acontece em dias frios e eu não paro de me empanturrar com carboidratos)? Vem passar quase 1 ano inteiro no frio para ver o que é bom! Quando te deres conta que o verão dura só umas mirradas 2 semaninhas quero ver o quanto aguentas.

Sabe o que acontece com a minha pele no inverno? Eu não fico branquinha marfim feito a Nicole Kidman. Eu fico com uma cor desbotada, com cara de doente, cheia de manchas visíveis na pele. Meu cabelo fica espigado, opaco. E o pior de tudo, eu não consigo parar de querer comer doces, biscoitos, bolos, chocolates e beber vinho. Muito saudável, não!? E sair para dar as minhas corridas? Sempre um sacrifício com esse frio, fora que quando há alguma luz eu estou enfurnada no trabalho ( e para quem não sabe, eu trabalho das 9 às 3:30). Ou seja, correr= fins-de-semana ou no escuro.

Houve uma época em que eu gostava de inverno. Mas daí eu morava numa bela casa com lareira, pinhão, quentão e mal dava tempo de enjoar e lá vinha a primavera. Aqui parece que o inverno dura para sempre.

Eu moro num outra bela casinha (adoro minha casinha), num hemisfério, paralelo e latitude completamente diferentes, tudo diferente. Com aquecedores em todas as peças. Onde eu bato a porta e deixo a casa sem receios de que seja arrombada (sem muros ou grades). Onde, se eu quiser, posso voltar no meio da madrugada sozinha, de carro ou a pé, sem ser assaltada, estuprada ou assassinada pela cobiça do meu relógio de pulso vagabundo ou dos trocos na minha carteira.

Como eu sempre digo para quem me pergunta o que eu faço por aqui quando ficam sabendo que venho de um país paradisíaco: "cada lugar tem seus altos e baixos, tudo depende de onde os pós e contras pesam mais ou menos na balança de cada um..." Sabe o que eu quero dizer? É algo pessoal, um particular de cada pessoa. Mas eu sinto falta de todas as coisas boas da minha terra natal. Assim como eu também sei que seria muito difícil e dolorido abrir mão de todas as oportunidades que eu tenho por aqui. A mais importante de todas, para mim, é o ser eu. Me sinto mais livre para ser quem sou, ou até para me re-inventar quando me bem calhar (mais sobre o assunto numa outra oportunidade). Aparentemente é um sentimento comum às pessoas imigrantes. Seja lá o que for, me faz sentir livre e isso é bom.

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Estou no finalzinho do livro "American Gods". Ainda não sei se estou gostando, acho que meu veredito final vai ser quando eu terminá-lo. Estou com grandes expectativas e espero que "Shadow", o personagem principal, não me decepcione. Por sinal, ele me lembra muito do H, meu hairstylist no Brasil. Não pergunte.

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Esse fim-de-semana está quietinho. Porque fui preguiçosa o suficiente pra não levar a cachorra para passear durante toda a semana, bateu a maior culpa e levei-a para uma caminhada de quase 3 horas hoje. Um frio que ninguém merece, mas lá fui eu. A cachorra corria enlouquecidamente e eu caminhava velozmente para não congelar. Foi bom. Siberiano, mas bom. No que cheguei em casa, me meti embaixo das cobertas até o corpo parar de tremer.