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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Nada como um dia depois do outro

A semana passada foi estranha, chatinha. Tudo dentro da minha cabeça, claro. A semana em si tinha começado bem. Na segunda-feira tive o segundo encontro do curso de respiração consciente que estou fazendo e que foi bem interessante (explico ouro dia). Mas os outros dias foram  um tanto  esmorecidos,  vontade de dormir e dormir. Fiz um monte de “dormir” acompahado de vários cálices de vinho.


 Eu acho que é hormonal porque não encontro outra explicação. E como sempre, passou. No sábado eu até dei uma corridinha, coisa que não fazia há quase 10 dias.



Correr, está aí uma coisa que eu adoro fazer. Mas pensa que é fácil? Eu me encho de desculpas e vou deixando para depois. Quando não encontro mais deculpas, finalmente vou para a rua. E toda a vez me pergunto porque fui postergando tanto quando  me sinto tão bem por estar correndo.  Me dá energia e a cabeça dá uma arejada tremenda.



Para compensar, essa semana vai indo muito bem. Na segunda-feira, depois do trabalho, fui para a minha prática de ioga. Foi uma sessão intensa, puxada e ótima com a Kristi (Hot Yoga Flow 1 – Vinyasa). Toda suada e semi acabada, estava cogitando ir para o chuveiro quando vi a professora da próxima sessão, a Agneta. Nunca tinha feito aula com ela mas sempre quis experimentar (Hot Yoga Flow 2 – Vinyasa). Resolvi permanecer na sala. Foi uma prática excelente, super puxada e reforçou a minha constatação de que o meu centro de força (músculos que rodeiam e suportam o tronco, abdômen) e meus braços são bem fraquinhos. Mas tão lindo ver as poses da Agneta, os movimentos são tão elegantes e fluidos! Quando eu crescer quero ser assim.



Mais tarde, de banho tomado e de pijama, super confortável e na minha caminha lendo “A Clash of Kings” do George RR Martin, quem resolve se esparramar comigo? O Rafa, seguido pela Daisy. Os dois caíram no sono antes de eu conseguir expulsá-los e acordei várias vezes durante a noite, semi afogada debaixo de filho e cachorro.


Mas acordei feliz e tive um bom dia. 

Quando cheguei em casa depois do trabalho, preparei  massas de brigadeiro e branquinho (amanhã é meu aniversário!), me troquei e fui para mais uma sessão de ioga. Dessa vez com a Janine que tem um estilo mais exigente. Terminei a aula pingando de suor.

Acordei hoje com os ombros e braços doloridos mas me sentindo super bem. Hei de chegar lá um dia!









segunda-feira, 18 de março de 2013

Conselho depende do ponto de vida do observador


No último encontro do clube do livro, discutimos a obra 'Washington Square' do autor americano naturalizado britânico Henry James. É um livro curto, de umas duzentas e poucas páginas e originalmente publicado em 1880.

O livro conta a história de Catherine, uma moça doce e devota ao seu pai, um médico viúvo rico e bem sucedido que não vê nada de especial na filha. Ambos moram em Washington Square, Nova Iorque, com uma tia intrometida devota, irmã do pai.

Quando Catherine apaixona-se e resolve se casar, o pai não perde tempo em pesquisar quem é o corajoso que quer casar com sua filha tão sem graça (segundo ele, porque a moça é gente boa). Ele logo conclui que o moço é um interesseiro que está atrás do dinheiro de Catherine e simplesmente decreta que se ela for adiante com o casamento, ele a exclui da herança.

Catherine fica profundamente magoada com o pai que tanto adora e respeita. Não que ela precise da herança, ela tem dinheiro suficiente que herdou da mãe. O que a magoa é a falta de apoio do pai, pois ela tem certeza que se o pai desse uma chance ao moço, veria que ele tem sinceras  intenções.  Catherine tem que escolher entre a herança (respeito ao pai) e o homem que ama.

Não, não vou estragar e contar o que acontece ou como termina o livro. Sim, o enredo soa (e é) bobo e sem graça mas, para minha surpresa, adorei e devorei cada página. Gostei demais da maneira como o autor explora o desenrolar dos relacionamentos.

O que mais me chamou a atenção foi a posição desse pai em relação à filha. Independentemente de ele estar certo ou errado quanto às intenções do pretendente da filha, até que ponto ele deveria ou não deixá-la cometer o que para ele seria um grande erro? Até que ponto se pode ir para tentar impedir que alguém que amamos não cometa o que para nós está na cara que é uma roubada?

O livro explora essa  complicada questão que envolve mil e uma nuances das diferentes personalidades e caráter que são tão bem explorados pelo autor (e o que me prendeu).  Mas e não é assim sempre? Não é sempre tudo muito relativo a quem as pessoas envolvidas são naquele momento, no que elas estão prontas para abrir mão ou no que elas estão conseguindo enxergar ou não?


Lembro de ter lido no facebook o discurso de uma amiga que defendia fervorosamente que conselhos são sempre dados com as melhores intenções, por quem nos ama e nos quer bem e que então (eu jurando que ela fosse dizer "daqui pra frente vou ouvir os conselhos que me dão com mais atenção) era para levarmos os conselhos dela a sério.

Tem aquele velho ditado "se conselho fosse bom não se dava, se vendia!" e a verdade é que todo mundo tem boas intenções ao dar conselhos. Só que conselhos são baseados na própria experiência, visão de mundo e momento de vida de cada um. Todos nós já vimos pessoas queridas fazendo besteiras e escolhas erradas, aprontando a própria cama e ignorando qualquer bom senso e os tais conselhos. E pum! Lá vai a criatura espatifar a cara na parede, bem como prevíamos. As vezes ouvimos um bem que me disseram... Mas também acontece muito de estarmos errados e o que parecia ser uma doideira na verdade acabou sendo uma coisa boa. E tem vezes que, graças aos conselhos que nos deram, acabamos nos saindo bem.

A verdade é que cada um tem a sua história e carrega a sua bagagem. E como li em algum lugar, a gente pode até ter certeza absoluta do que disse, mas o que o outro ouviu nunca se vai saber ao certo.

Talvez o mais importante não seja dar conselhos ou saber recebê-los mas sim poder contar com quem nos ama, respeitar a individualidade e o tempo de cada um, ter uma mão amiga para nos re-erguermos quando caímos um tombo. Porque cair, todo mundo cai, uns mais outros menos, faz parte da arte de viver e aprender. 


terça-feira, 23 de agosto de 2011

Livro: The Help

Autora: Kathryn Stockett

O primeiro encontro do clube de leitura foi tão bom que terminou depois das onze horas da noite. Discutimos livros, preferências e anedotas do dia a dia. O livro que vamos ler para o próximo encontro é o “The Help” da escritora americana Kathryn Stockett (em português trocaram o tìtulo para “A Resposta”. Não entendi). Na verdade, terminei de lê-lo hoje. Gostei muito. Algumas partes me emocionaram muito, principalmente perto do final, cheguei a conter lágrimas de alívio e felicidade pelo destino de algumas personagens. Ou eu estou perto dos meus dias ou o livro é bom mesmo. Achei as personagens convincentes, reais. O livro me prendeu do começo ao fim, muito bem escrito. Que discussões vai levantar no próximo encontro? Estou curiosa. Meu grupo é formado por mulheres jovens inglesas e de diferente países europeus. Vai ser interessante, eu imagino.

Quanto ao livro (e arrumando o que eu tinha escrito na [ultima postagem), a história acontece no início dos anos 60, época do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos e é narrada na voz de três mulheres da cidade de Jackson, no Mississipi, Aibellen, Minny e Skeeter. Aibeleen e Minny são duas empregadas domésticas negras que tentam trabalhar o máximo de horas possíveis para as famílias brancas aguentando a falta de respeito e a crueldade de uma sociedade racista. Já Skeeter é uma jovem branca de uma das famílias importantes da comunidade local, aspirante a escritora e a única que parece sentir que há algo de muito errado na sociedade. Incomodada com o desaparecimento misterioso da empregada negra que a criou e inspirada pela forte relação que mantinha com ela, Skeeter decide escrever um livro de entrevistas contando como é a vida das empregadas domésticas negras de sua cidade. Só que numa época de segregação racial e castigos cruéis por motivos simplórios, sair falando da patroa não só é muito perigoso como também ilegal, fazendo com que o projeto se torne quase impossível de ser realizado.

“The Help” é cheio de ironias, personagens e relacionamentos fortes e convincentes. Faz rir e horroriza na dose certa. Gostoso de ler. Li em menos de uma semana.

Ah! Sei que saiu o filme há pouco. Não li as críticas mas eu DUVIDO que faça jus ao livro. Aposto que é fraquinho porque o diretor vai enfatizar apenas o eixo da história (americano adora um draminha sobre “maus” x “bons” cheio de estereótipos) e não vai capturar as nuances e riqueza nos relacionamentos e personalidade das personagens. São tantos livros bons que são estragados quando colocados nas telas, perdendo toda a sutileza, complexidade e força da narrativa. Esse vai ser mais um.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Livro: The Book With No Name


Título: The Book With No Name

Autor: Anonymous

Publicação: 2007

Editora: Michael O' Mara Books

379 páginas



Comprei esse livro há uns 2 anos porque tinha gostado da capa. Mas foi somente semana passada, depois de ter terminado um livro bem fraquinho, que resovi dar uma chance para O Livro Sem Nome. Bah!!! Não conseguia parar de ler, muito muito bom. Adorei.Totally sincronizado com meu humor do momento.

Lembra muito o Tarantino. Põe no liquidificador um pouco de Pulp Fiction, Kill Bill e From Dusk Til Dawn. E mais outras coisinhas.

Não é nenhum clássico, nenhuma obra prima. Mas com certeza um dos livros mais divertidos que já li nos últimos meses.

Tipo, o Bourbon Kid era eu.... sai da frente!


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Flash Forward



Lá estou eu no pub do clube de corrida como faço toda quarta-feira e entre uma pint e outra alguém menciona um seriado novo, "Flash Forward". Eu tinha visto umas chamadas mas como seriados são sempre empolgantes no começo, mas se arrastam até a gente pegar nojo, nem cogitei conferir.

Para quem não sabe, Flash Forward é um seriado produzido pelo mesmo time de Lost (aquele seriado que todo mundo viu, menos eu, e que acabou se perdendo no caminho). A história gira em torno de um fenômeno que acontece sem aviso prévio onde, de repente, a população inteirinha do planeta desmaia e permanece desacordada por exatos 2 minutos e 17 segundos. Quando voltam a si o caos está formado, afinal, a quantidade de acidentes decorrentes do desmaio coletivo é alarmante. Mas o mais importante, durante esses 137 segundos as pessoas tiveram visões onde se viram 6 meses no futuro. Ninguém sabe como e porque tal fenômeno ocorreu. Para algumas pessoas, as visões foram libertadoras e otimistas, para outras foram confusas e assustadoras e algumas pessoas não tiveram nenhuma visão (porque não estariam mais vivas daqui há 6 meses?). Uma câmera de segurança registra uma única pessoa caminhando despreocupadamente entre os desmaiados durante o fenômeno. Um agente do FBI, no seu Flash Forward (como são chamadas as visões), viu-se analisando uma coleção de pistas que levaria aos causadores do blackout. O FBI começa uma investigação para elucidar o mistério.


Já estamos no quinto ou sexto episódio da série por aqui. Até agora é bem joinha. Mas aposto que vai ser a mesma ladainha de tudo que é série que aparece e não vai terminar nunca. Aposto que vão estragar.

Lá no clube, quando surgiu a conversa, imaginamos o que estaríamos fazendo daqui há 6 meses e a conclusão foi unânime: estaríamos sentados em torno do bar, bebendo nossas pints depois de uma corrida... mesmíssimo cenário. Pior é que ao mesmo tempo em que me pareceu triste - quem quer estar sempre fazendo a mesma coisa?- foi também um alívio porque eu adoro essas quarta-feiras. Também me fez relembrar o quanto encaramos o futuro como certo quando na verdade muitos incidentes inesperados podem surgir mudando o curso de nossas vidas de maneiras inimagináveis.


Voltando ao Flash Forward, porque eu tinha gostado da idéia por trás do seriado, consultei meu oráculo e descobri que o seriado foi baseado no livro que leva o mesmo nome, publicado em 2000 e escrito por um autor canadense, Robert J. Sawyer. Encomendei o livro? Sim! Li? Sim! E gostei muito. E juro que não estragou o seriado porque as únicas coisas em comum são o planeta ter experienciado visões do futuro durante um desmaio coletivo e o nome da personagem principal do livro ser o mesmo nome de uma personagem secundária do seriado. Só. E tendo lido o livro eu estou salva porque se o seriado me decepcionar ou arrastar-se ad infinitum, o livro valeu a pena.

Vamos ao livro.

No livro, o planeta inteirinho perde a consciência por exatos 2 minutos e sim, as pessoas se vêem no futuro, mas em 21 anos no futuro ao invés de apenas 6 meses. Não tem FBI nem grandes investigações envolvidas como no seriado, tudo se passa na Europa envolvendo um experimento com partículas atômicas no super acelerador do CERN (Organização Européia para Pesquisa Nuclear). A projeção coletiva da consciência teria sido um efeito colateral impossível de ter sido previsto durante um experimento conduzido por Lloyd Simcoe, o único nome de uma personagem do livro que o seriado toma emprestado, porque até os papéis são outros.

O livro levanta questões sobre livre arbítrio, se o futuro já está escrito ou pode ser mudado, escolhas e, surpreendentemente, sobre imortalidade.

A leitura é muito boa, a história é bem costurada e flui. Só as personagens são insossas, não tem um herói principal daqueles por quem a gente torce e sofre junto. Eu achei que faltou emoção e empatia para com as personagens. Mas com certeza é uma ótima história de ficção científica e tenho certeza que o seriado não chegará aos pés do livro.



Título: Flash Forward

Autor: Robert J. Sawyer

Publicação: 1999

Editora: Tor Books, Canada

320 páginas





quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Livro: Out




Título: Out

Autor: Natsuo Kirino

Traduzido do japonês por Stephen Snyder

Publicação: 2004

Editora: Vintage
529 páginas


Eu tenho meus escritores japoneses favoritos, como por exemplo, Haruki Murakami, que é reconhecido internacionalmente e bom mesmo. Então, um belo dia estou eu num dos meus lugares favoritos no mundo, esperando pelo livro que me “chamasse” quando “Out” praticamente pulou da prateleira nas minhas mãos. Eu olhei para o livro desconfiadíssima porque: 1-best seller, 2- gênero crime/ policial /detetive e 3- japonês... Vou me explicar. Sou desconfiada de best seller (nem preciso citar exemplos, né não???), e escritora japonesa escrevendo sobre crime /policial /detetive é suspeitíssimo porque eu só pensava em The Ring, no UltraSeven, no Godzilla e naquelas menininhas japas que parecem bonequinhas de desenho japonês animado. Eu sei, eu sei, ignorância pura, mas... resolvi seguir meus instintos e enfiei o livro na cestinha. Mais parentêses ( sabe bêbado que não pode ver um boteco? Bom, eu também não. Mas se tiver o boteco e a livraria lado a lado, a livraria ganha). Daí que um tanto de tempo depois – porque não é só me ganhar na livraria, tem que enfrentar a fila em casa - euzinha, inspirada pela Sunflower-Jana e Jana Lauxen entre outros deliciosos perversos que publicaram seus contos sanguinolentos em Assassinos SA- resolvi que estava na hora de ler “Out”.

AMEI. Muito bom mesmo. Totalmente inesperado mas valeu a pena sim. Quer saber, essa tal Natsuo Kirino merece ser a “Rainha da Literatura Criminal Japonesa” (minha tradução livre do Guardian, swallow it).

Vamos à trama.

Out começa devagar, quase parando. Começa descrevendo em capítulos distintos as pesonagens principais: Masako, Yayioi, Yoshie e Kuniko (vai te acostumando com os nomezinhos, se fores anta em japonês como eu). Elas são quatro mulheres que vivem nos subúrbios de Tóquio, com histórias de vida completamnete diferentes mas que por essas coisas da vida trabalham juntas durante a noite numa dessas empresas que preparam esses almoços prontos que o pessoal de escritório, etc compra na hora do tal almoço. Tá, deixa eu explicar melhor ( e me dêem um desconto porque eu não moro no Brasil há mais de 10 anos): aqui, e pelo jeito no Japão, teu empregador não paga teu almoço. Então, a criatura tem que ir numa Boots da vida (equivalente à Panvel em Porto Alegre) e comprar um sanduba ou uma outra bandeijinha de plástico qualquer com uma salada, ou massa fria pronta, ou um curry indiano, ou etc. Esse é o almoço da grande maioria dos londrinos. Claro que tem sempre gente, como eu, que carrega marmita.

Pois bem, essas quatro mulheres, que não tem nada em comum, trabalham juntas como uma pequena equipe no chão da fábrica durante toda a noite. Retornam à suas casas e famílias pela manhã. É um trabalho duro (dãããããã) e elas tem seus problemas particulares para enfrentar em casa: Yayoi é uma viúva que tem que cuidar da sogra bruxa mesquinha inválida; Kuniko é daquelas peruas que não tem onde cair morta e está atolada de dívidas, mas sempre mantendo a pose e mostrando uma vitrine de chique (breguíssima) e de quem não tem que se preocupar com dinheiro; Masako tem um filho adolescente que não abre a boca há anos e odeia os pais, além do marido estar tão distanciado no mundinho dele (ou ela no dela?) que nem tem mais jeito; e Yoshie, com dois filhos pequenos em casa, não aguentando mais as infidelidades e perda de dinheiro suado (que ela ganha trabalhando a noite) do marido em cassinos, numa bela manhã telefona para a colega Masako pedindo ajuda para se livrar do corpo do marido que ela acabara de matar. E Masako responde “Claro, eu ajudo.” As quatro mulheres acabam envolvidas em dar sumiço no corpo. A polícia encontra o primeiro suspeito, o dono de um cassino /puteiro que acaba tendo que fechar os negócios e, furioso, resolve ir atrás dos verdadeiros culpados. Eventualmente Masako se dá conta que um monstro foi acordado...

As personagens (não só essas quatro mulheres) são muito bem construídas e realísticas. É definitivamente uma história complexa e muito bem costurada. Vai lá no âmago da loucura pessoal, chega naquele lugarzinho escuro e proibido onde a pergunta que paira é: até que ponto você iria para escapar de uma vida sem sentido e sem saída?

Sim, o enredo começa quietinho e até enjoadinho, mas de repente o leitor é jogado numa trama emocionante de caça ao rato e vamos ver quem é mais esperto. Tem um tanto de horror, sangue, morbidez e suspense (afinal, a mulherada cortar em pedacinhos o defunto para espalhar pela cidade na tentativa de não deixar traços é só o começo).

Tem até um brasileiro metade japa e imigrante que, de tarado, vira amigo do peito. Tem um tanto de denúncia em relação às condições das mulheres na sociedade japonesa (se é que é assim porque eu confesso que desconheço a situação). Mas na minha modesta e super pessoal opinião, o forte está no desenvolvimento das personagens, no jeito que não interessa os motivos mas a ligação forte, a empatia (mesmo toda errada) que cada personagem provoca no leitor. É uma história estranha (cantei a pedra na minha primeira impressão) mas que vale a pena.

Bem, esse é o primeiro livro traduzido para o inglês da mais bem sucedida escritora japonesa contemporânea do gênero crime. “Out” recebeu o prêmio Naoki e o prêmio na categoria melhor crime/mistério no Japão.

Quer ler algo que vai te deixar dias pasmado e em luto por ter terminado o livro? Leia “Out”. Detesta o gênero crime mistério? Nem te dá ao trabalho. Não te interessa o gênero, mas uma boa história muito bem escrita? Reza para alguém bom traduzir para o português. Vale a pena. Bom pacas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Livro: The Angel’s Game (O Jogo do Anjo)



Título: The Angel's Game (O Jogo do Anjo)

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Publicação: 28 de maio de 2009

Editora: Weidenfeld & Nicolson

441 páginas

(Original em espanhol publicado em 2008)


Esse é o mesmo autor de The shadow of the Wind, livro bom pacas.

The Angel's Game se passa em Barcelona, na década de 20, onde encontramos David Martin, um escritor talentoso que teve uma infância sofrida. De natureza solitária, David mora num casarão abandonado que guarda uma história sinistra. David é daquelas pessoas de boa índole e capazes mas com uma vida cheia de obstáculos e dificuldades em que nada parece possível: o dinheiro é sempre curto, a mulher amada não pode ser sua, seus editores inescrupulosos exigem que publique seus trabalhos sob um pseudônimo e para arrematar descobre que possui uma doença fatal. Desculpem meu francês, mas o cara tá fodido!

Um dia, um editor francês esranhíssimo o procura oferecendo uma enorme quantia em dinheiro para que David escreva um livro que mude a vida das pessoas, um livro com uma religião nova. A idéia soa meio sinistra mas David não vê a hora de livrar-se dos editores para quem trabalha e poder publicar sob seu verdadeiro nome. David explica ao francês que seu contrato não permite que ele simplesmente deixe seus editores e o francês responde que eles não serão nenhum obstáculo. Resultado: os editores morrem num incêndio...

Enquanto relutantemente trabalha para o editor francês, David escreve seu próprio livro e ainda ajuda seu melhor amigo reescrevendo o trabalho dele também. Só que quando os livros são publicados, é o livro do amigo – escrito por ele! – que vira um sucesso enquanto o seu recebe pesadas críticas.

Não vou contar toda a história e olha que até agora contei só um tiquinho que dá para ler na orelha do livro. Admito que Carlos Ruiz Zafon tem o dom de contar histórias, ele sabe fisgar o leitor. Só que enquanto o livro promete, não cumpre. Acaba virado num labirinto cheio de caminhos sem volta e enquanto eu tinha fé de que desembocaria na saída do labirinto... bem, me senti traída. A história terminou e me deixou pasma. Sobre o que foi todo esse corre-corre???

O bom do livro é que transporta o leitor para as ruas de Barcelona, dá quase para sentir o cheiro! Também carrega o leitor para o "Cemitério dos livros perdidos", um labirinto secreto de livros que fica debaixo de Barcelona, tão grande que dá para se perder lá dentro. A história é cheia de mistérios, mentiras, mortes, romance, segredos e várias doses de sobrenatural.

Enfim, mais idéias boas do que dom para tecê-las e finalizá-las de maneira convincente. Mas vale a pena ler, é daqueles livros de não querer largar. Mas nada assim tão especial para ter tido tanta repercussão aqui por essas bandas.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Livro: Uma carta por Benjamin



Tíulo: Uma carta por Benjamin
Autora: Jana Lauxen
Editora: Multifoco
Publicação: abril de 2009
136 páginas
















Uma carta por Benjamin conta a história de Benjamin, um cara super apático, que vive de mesmice, da sagrada rotina, isolado e distante. Se não fosse o fato de ele simplesmente não se incomodar com a insistência em ser uma ilha, eu diria que esse cara tem Síndrome de Asperger. Benjamin não é dado a contatos sociais, mal percebe as pessoas a sua volta, um umbigão só. Não quer saber de se involver com nada, nem ninguém. Faz o trabalhinho medíocre dele para se sustentar (manter-se vivo, porque ôôôô vidinha insossa!) e faz tudo igual todo o santo dia.

Até que sem mais nem menos, um dia ele recebe uma carta pelo correio. Pelo correio!!! Quem recebe carta pelo correio hoje em dia??? Em plena era da internet??? Pois uma tal de Madalena começa a escrever cartas para Benjamin. Cartas íntimas, como se o conhecesse (pobre Benjamin não lembra de nenhuma Madalena!). E a partir daí a vida de Benjamin muda porque querendo ou não (e no caso dele não querendo mesmo), Benjamin é sugado para dentro de uma conspiração onde mesmo sem querer ele não tem opção mas tomar uma atitude.

Uma história que cutuca. Quantos de nós faz questão de fazer o possível para não se envolver com nada e com ninguém? Quantos de nós não prezamos a segurança de nossos casulos e só sairíamos de lá à forceps???
Se eu gostei do livro? Sim, bastante. Essa menina escreve muito bem (ainda vai se ouvir falar muito dela e ha ha! Morra de inveja, meu exemplar é autografado!); você quer virar a página morrendo de curiosidade, a história flui mesmo. E esse tal Benjamin? É conhecido de todos, ou você o conhece de dentro, ou já viu por aí.

Para quem ficar interessado em saber mais sobre a autora http://janalauxen.blogspot.com/.